Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/07/2021
A ascensão do governo de Hitler na Alemanha em 1931 trouxe consigo a limitação da expressão individual, fator que decorreu na padronização da expressividade aos moldes nazistas e fez com que se fortalecesse o repúdio à arte em espaços públicos, o que feria os princípios dos líderes. Mediante ao exposto, na contemporaneidade, analogamente às passagens supracitadas, ao observar a aversão à transformação estética de ambientes comuns na sociedade brasileira, evidenciam-se emergentes os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Por isso, graças à normatização da expressividade social e ao preconceito estrutural associado à tal prática artística, a problemática assola a sociedade.
Em primeiro plano, a manipulação excessiva dos meios de expressão corrobora a conjectura. Nesse sentido, a obra literária “1984”, de autoria de George Orwell, trata de uma realidade distópica, na qual o governo autoritário vigente controla e limita toda e qualquer manifestação individual, o que acarreta na padronização do espaço público e na depreciação da expressividade. Dessa maneira, a partir do momento em que a normatização exacerbada permeia sobre a prática artísitica, percebe-se a desvalorização do reavivamento estético urbano e a uniformização da sociedade, tanto fisicamente, em espaços comuns, como ideologicamente, graças à limitação da expressão. Logo, devido ao controle sobre os canais de expressão, como retratado em “1984”, há o desprezo a manifestações urbanas.
Ademais, a intolerância estrutural à arte em ambientes públicos agrava, ainda mais, o cenário. Nesse viés, Hannah Arendt, filósofa alemã, defende que um governo totalitário se baseia na manipulação ideológica e no controle psicológico da população. Desse modo, no instante em que líderes autoritários, como o nazismo no território germânico em 1931, repudiavam a expressividade artística na paisagem popular, constata-se que a construção da sociedade pós-moderna foi pautada em ideais manipulados e mal fundados sobre a prática artística urbana, o que intensifica a desvalorização da estética de ambientes públicos e o preconceito ante a essa manifestação, inclusive no Brasil. Assim, graças aos problemas advindos ao quadro, são necessárias medidas interventivas.
Portanto, depreende-se que a questão da desvalorização da arte urbana na sociedade brasileira é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, representante midiáticos, em colaboração com os usuários, devem, por meio da manifestação coletiva, organizada em redes sociais, fortalecer a ideia de remodelamento estético do espaço público, a fim de impedir a padronização da expressividade individual e erradicar a limitação imposta no âmbito artístico e, por conseguinte, corroer a intolerância mal formulada que há sobre a manifestação na paisagem urbana e, dessa forma, combater as restrições à expressividade, como outrora fora presenciado em 1931 no governo nazista.