Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 11/08/2021

Em 1922 ocorreu a Semana da Arte Moderna, evento que reuniu vários artistas para apresentarem diversas inovações, que não foi bem aceita, sofrendo bastante preconceito e julgamentos. Apesar do hiato temporal, quase um século depois, infelizmente, ainda é possível ver que algumas artes são desvalorizadas e pouco aceitas na sociedade, como por exemplo a arte urbana, e são alvo de intolerância e aversão, se assemelhando a exposição de 22. A partir desse contexto, é válido pontuar a importância dessa arte, bem como o principal entrave para um maior reconhecimento.

Com efeito, é fundamental entender que a arte de rua é a maneira da cidade se expressar, uma verdadeira forma de resistência aos poucos investimentos. Tal questão ocorre, pois, de acordo com o escritor Émile Zola, o governo não valoriza as artes pois é uma força que lhes escapa. Sob esse viés, compreende-se que a arte urbana tem o papel de democratizar o conhecimento, pois está disponível nas ruas e centros, lugares em que não costumam ser prioridades para exposições financiadas. Sendo assim, apesar da escassez de incentivos, a arte segue com seu caráter de resistência, assim como Chico Buarque em “Apesar de Você”, “Os Operários” de Tarsila e “O Cortiço” de Aluísio Azevedo que denunciam e resistem a uma sociedade que não os valoriza.

Convém pontuar, ainda, que o principal entrave para a valorização é o preconceito. Isso acontece, porque persiste o costume de criminalizar e marginalizar o que é diferente, a arte urbana é, então, relacionada às pessoas de pouco prestígio social, fazendo com que o já existente preconceito e racismo sejam reafirmados. Exemplo disso é a história de vida do grafiteiro Kobra, o qual apesar de ter uma carreira internacionalmente conhecida, ainda sofre com diversos julgamentos em sua arte. Ou seja, a manutenção de pensamentos ultrapassados ​​impossibilita que artes como grafite, sticker art, dança entre outras recebam maiores investimentos. Dessa forma, percebe-se como a intolerância e a repressão se verdadeiros entraves para que a arte urbana tenha um maior reconhecimento.

Portanto, percebe-se uma urgência em resolver a desvalorização dessa arte. Assim, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Economia, destine mais recursos financeiros para incentivar e divulgar os trabalhos dos artistas. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um Plano Nacional de Incentivo à Arte de Rua, o qual irá funcionar como instrumento de orientação para políticas públicas que busquem valorizar o trabalho deles. Isso será feito a fim de valorizar o incrível trabalho dos artistas de rua. Afinal, não é suficiente apenas uma semana de inovação, é preciso uma vida inteira.