Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Em 2017, a mando do ex-prefeito João Doria, foram cobertas com tinta cinza diversas pichações e grafites pelas ruas da cidade de São Paulo. Nesse cenário, a justificativa do Governo após apagar as manifestações artísticas foi a de que não passavam de vandalismo. Dessa forma, fica evidente a desvalorização da arte urbana no Brasil, que apresenta como principais desafios para alteração dessa realidade a desigualdade artística e a falta de educação cultural.

Observa-se, em primeira instância, que a visualização das diversas formas de arte com disparidade de valor pela sociedade dificulta o enaltecimento da arte urbana. Nessa perspectiva, a Constituição Federal garante a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso a fontes da cultura nacional, apesar de que muitos indivíduos são discriminados por suas formas de manifestação artística. Sob essa ótica, o comportamento da maioria da sociedade, influenciado pela herança histórica que idealiza a arte como um recurso elitista e padronizado, acaba por marginalizar as manifestações urbanas, feitas majoritariamente pela periferia. Logo, a desigualdade entre as expressões artísticas corrobora a desclassificação da arte de rua como válida.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a falta de educação cultural, nos moldes predominantes do Brasil, como outro fator que contribui para a desvalorização da arte urbana. Nesse viés, a escritora Maya Angelou afirma que o preconceito é um fardo que ameaça o futuro e torna o presente inacessível. Posto isso, a falta de ensino sobre a arte urbana e as variedades artísticas dificulta a compreensão sobre a importância das mesmas na viabilização da liberdade de expressão, ao passo que estimula o preconceito contra as formas de arte não convencionais. Em síntese, fica claro que é elementar a instrução sobre tolerância e apreciação pela arte para que seja atingida a valorização das manifestações urbanas.

Constata-se, portanto, que a incompreensão sobre o valor da arte urbana acarreta a sua desvalorização. Por isso, cabe ao Ministério da Cidadania promover a democratização artística, mediante instalação de oficinas elucidativas gratuitas pelas cidades brasileiras, a fim de incentivar a participação social para criação da arte e o incremento da exteriorização pessoal. Tal ação será ainda apresentada em escolas, com a finalidade de apresentar as variadas formas de manifestação artística e estimular o pensamento criativo dos alunos. Assim, será possível superar os desafios para a valorização da arte urbana e promover uma identidade nacional que garanta a livre expressão do mosaico sociocultural brasileiro.