Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 31/07/2021

A história da arte moderna é caracterizada pelo quebra de padrões vigentes por obras de vanguarda, geralmente não aceitas inicialmente. O mesmo ocorre com a “street art” contemporânea, que enfrenta dificuldades para se tornar válida. Portanto cabe conhecer os porquês dessa falta de aceitação.

De maneira inicial, a arte urbana é associada às camadas marginalizadas da sociedade. Nessa visão, muitas pessoas têm preconceito a essa manifestação cultural e buscam reprimi-la, a exemplo dos esforços do governador João Doria em apagar grafites de São Paulo durante 2017. Entretanto, essa atitude é incompatível com a cultura brasileira, cujos muitos elementos valorizados hoje, como o samba, a capoeira e o carimbó, vieram também de pessoas à margem da coletividade. Desse modo, é um obstáculo sem fundamento contra a arte urbana.

Outrossim, tal arte também é visto como danosa para o meio urbano. Como a pichação vândala e de facções é, assim como os grafites urbanos, feita em muros, paredes de prédios e ruas, a “street art” é, por associação, tida como prejudicial ao visual das cidades. Todavia, ao contrário desse tipo de pichação, a arte urbana é uma forma de protesto que aborda temas sociais e que também embeleza os ambientes urbanos, tornando-os mais valorizados, como o mural da Avenida 23 de Março, que criticava a realidade da cidade de São Paulo. Por isso, a arte urbana é de fato benéfico para a paisagem e sociedade urbanas.

Em suma, a arte urbana enfrenta muito preconceito como manifestação artística e cultural. A fim de reverter esse quadro, o MEC deve tornar obrigatório, dentro de Artes, o estudo de movimentos alternativos e sociais como a “street art” e suas influências no espaço urbano atual, que colaborará para mitigar a visão equivocada que considerável parte da população tem acerca deles. Assim, a arte urbana será propriamente reconhecida e valorizada.