Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/08/2021
Os primeiros indícios da arte urbana no Brasil apareceram na década de 70, com a produção de grafite nas paredes. No entanto, suas obras são desvalorizadas pela população brasileira até os dias atuais. Isso ocorre, pois a desigualdade social e o preconceito que está presente na mentalidade do povo atuam como empecilhos para a aceitação da arte urbana pela sociedade em geral. Logo, deve-se dicutir a respeito da implicação desses fatores na percepção social acerca da arte advinda dos meios urbanos.
Em primeira análise, a desigualdade social atua como empecilho para a valorização da arte urbana, pois permite que a produção artística seja majoritariamente de caráter elitista. Dessa maneira, o pensador Karl Marx defendia que o poder surge nas relações de produção e está concentrado nas mãos da burguesia. Sob essa ótica, a dominação da alta esfera social sobre os meios artísticos faz com que a arte urbana, por ser geralmente produzida pelas camadas sociais mais baixas, seja menos acessada pelo resto da sociedade e ainda mais desqualificada aos olhos do povo brasileiro em geral. Portanto, a desvalorização da arte de rua é fortemente ligada a condições de dominação e segregação social bastante presentes em uma sociedade extremamente desigual e individualista que é a brasileira.
Além disso, o preconceito com formas de expressão artística das camadas mais pobres da sociedade atua como um obstáculo para a valorização da arte urbana no Brasil. Tal discriminação está fortemente atrelada à falta de conhecimento acerca das variadas formas de arte advindas do meio popular. Nesse sentido, a falta de ensino a despeito dos diversos nichos artísticos nas escolas é um forte empecilho para o combate a tal preconceito. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela já afirmava que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Portanto, a discriminação com as artes das camadas mais pobres da sociedade ligada à ignorância, que é incentivada pela falta de educação acerca das artes, atua como um grande desafio a ser superado para buscar a valorização da arte urbana em meio a uma população mal-instruída e sem perspectiva alguma de melhora no ensino.
Assim, a desigualdade social e o preconceito são problemas sociais que atuam como desafios à valorização da arte urbana no Brasil. Dessa maneira, é crucial que o MEC, por meio de investimentos governamentais em aulas e palestras, enfatize a importância social da arte urbana ao povo brasileiro e promova, em escolas, exposições dessa forma artística com o objetivo de inserir a população de maneira consciente e sem preconceitos no meio artístico popular. Desse modo, uma sociedade que valorize mais a arte produzida pelas camadas sociais mais baixas será alcançada.