Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Na obra urbana “Chuuuttt!!!” localizada no centro de Paris, o artista Jef Aerosol afirma que “Este gesto é a minha maneira de dizer: ouçam uns aos outros e parem cinco minutos, ouçam coisas que não costumam ouvir. A cidade não é apenas o som das sirenes e dos motores da polícia." A produção artística, que ficou conhecida mundialmente, foi encomendada pelos habitantes do distrito para substituir as deploráveis etiquetas as quais costumavam depreciar a parede e a fonte de Saint-Phalle. Em contrapartida, há uma certa desvalorização da arte urbana no Brasil por parte da população, uma vez que a arte urbana não só é estigmatizada através do preconceito como também constitui-se em uma forma de expressão da sociedade.

Nessa perspectiva, torna-se importante salientar que o enraizamento do estigma atrelado à arte urbana é reflexo de um processo hisórico. Desde a década de 70, essa era uma arte marginalizada e considerada um ato de vandalismo em virtude da deturpação do patrimônio público, porém, quando realizada de forma legal e com o intuito de valorizar o espaço público, torna-se essencial nas cidades brasileiras. Dessa forma, tal preconceito demonstra a falta de informação e a desvalorização do papel da arte. Segundo o poeta Ferreira Gullar, a arte existe porque a vida não basta, logo, a tese da arte faz alusão ao sentido da vida, e deve ser aplicado no cotidiano.

Por conseguinte, é indubitável que a arte urbana se trata da forma de como a sociedade demonstra sentir-se em relação ao meio em que vive. Nesse sentido, torna-se uma ferramenta essencial para a consolidação da democracia, pois, possui caráter reflexivo a respeito da política e das questões sociais. No México, o muralismo era um estilo e defendia que a arte deveria ter alcance social, ou seja, deveria ser acessível ao povo para que a sociedade se conscientizasse sobre algumas quetões públicas. Ademais, o artigo 5° da Constituição brasileira de 1988 garante aos indivíduos a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independentemente de censura ou licença, assim, a arte urbana não deveria ser vista como algo marginalizado.

Portanto, é evidente a necessidade de ações que visem mitigar a desvalorização da artística no Brasil. Logo, é dever do Governo em conjunto com o Ministério da Cidadania proporcionar debates e palestras realizadas por profissionais da área com o fito de conscientizar o povo a respeito da relevância da arte em espaços públicos. Outrossim,  a sociedade civil organizada deve incentivar a expressão dos sentimentos em relação ao meio em que vive de forma legalizada e com o objetivo de colaborar com o ambiente. Somente assim, pode-se ter mais obras de caráter reflexivos e decorativo como “Chuuuttt!!!”.