Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Por arte entende-se toda a criatividade humana que, sem intenções práticas, representa as experiências individuais ou coletivas, por meio de uma interpretação ou impressão. Apesar de subjetiva a expressão artística encontra ainda diversos obstáculos na atualidade, dando ênfase à arte urbana, verifica-se no Brasil uma imensa desvalorização da mesma e, logo a elaboração preconceituosa e infudamentada do que é a arte urbana. São visíveis as impugnações entre a luta pela igualdade e liberdade de expressão e as crescentes condutas de recusa com as manifestações artísticas urbanas no século XXI, faz-se, pois, urgente a elaboração de medidas que superem esses obstáculos.

A princípio faz-se de fundamental importância notar que o território brasileiro dispõe de uma variedade cultural significativa, logo a arte urbana afina-se em tal diversidade. Contudo, com a criminalização da pichação em 2011 desenvolveu-se uma ideia errônea de que todas os grafites eram produtos de uma marginalização do espaço público, dando espaço para um conceito preconceituoso e uma desarmonia cultural. Por conseguinte, evidencia-se uma carência de um fator educacional que tenha o objetivo de diferenciar a arte urbana da ilegalidade. Destaca-se também que nos últimos anos houve uma considerável redução nos investimentos em arte por parte do governo no Brasil, fato esse que demonstra uma certa indiferença com a valorização artística e cultural do país.

Ademais a visão da arte urbana como uma expressão ilegal, outro desafio que a mesma encontra é a visão obsoleta de que as “pichações” não possuem valor artístico algum que ainda cresce no território brasileiro. Para Leonardo da Vinci, responsável por muitas das grandiosas pinturas mundialmente reconhecidas, a arte “diz o indizível, exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.”, portanto entende-se que a arte é de livre interpretação e que em muitos cenários a mesma terá um significado implicito e profundo, representado na mais simples escolha de cor ou movimento. À vista disso é, certamente, controvertível a declaração de que não há uma verdadeira expressão na arte urbana.

Levando em conta os aspectos analisados reitera-se a premência da superação dos desafios enfrentados pela arte urbana tanto na abordagem jurídica como na consciência individual. A atuação do Ministério da Educação é de fundamental relevância no estabelecimento de palestras educacionais e de promoção ao artisita urbano de modo a notabilizá-lo. Outro auxílio de grande valia é delegado aos deputados, senadores e comissões que devem elaborar leis e emendas que defina corretamente a legalidade das expressões artísticas urbanas e as diferencie da degradação pública. Salienta-se também a relevância de aulas e palestras por parte das escolas e institutos ensino do país que abordem o tema em pauta, expondo sua significância para a cultura do Brasil.