Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 02/08/2021
O documentário ‘Pixo’, uma arma crítica contra as tentativas de silenciamento dessa forma de expressão, narra os primórdios da pichação no estado de São Paulo e como se tornou uma voz típica da metrópole paulistana desde os tempos da ditadura civil-militar. No entanto, embora a arte urbana tenha se popularizado, posteriormente, não só como meio de protesto, mas como complemento das paisagens nas cidades, os desafios para sua valorização estão cada vez mais efetivados. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da tentativa de silenciamento por parte do Estado e da sociedade, como também do preconceito e associado a esse tema. Apesar disso, essa visão negativa pode ser significativamente minimizada, se acompanhada da desconstrução coletiva e incentivos aos artistas urbanos partindo do Governo.
Em primeiro lugar, é evidente que a herança ideológica da pichação remete a uma maneira de expressão e protesto essencialmente das classes oprimidas, que sem comunicação com a comunidade, fazem da tinta spray a sua voz. Nessa perspectiva, em consonância com Foucalt, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de poder e coerção. Sob essa ótica, constata-se que o discurso hegemônico introduzido na modernidade, moldou o comportamento do cidadão a crer que a arte como ferramenta de manifesto deve ser silenciada, enfraquecendo o princípio de que todos tem direito a expressão.
Em 2017, o prefeito de São Paulo, João Doria declarou guerra contra as pichações, afirmando que pichadores devem mudar de profissão e adotando uma série de medidas para coibir a arte que em sua maioria, provém das periferias. A postura do tucano reflete a filosofia dos sociólogos da Escola de Frankfurt, em que a cultura tornou-se um instrumento para a obtenção de lucros. Nesse viés, o preconceito com a arte urbana pode ser fruto de uma escessiva mercantilização dos bens culturais, que segrega áreas periféricas do acesso a arte.
Depreende-se, portanto, a relevância da valorização da arte urbana no Brasil moderno. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado proporcione incentivos coerentes a artistas urbanos por região, como reestruturação cabível das leis que criminalizam e enquadram os pichadores, subestimando esse fator tão relevante na paisagem e na cultura urbana da contemporaneidade, Ademais, a instituição educacional junto ao MEC, deve proporcionar aos indivíduos em formação, uma educação voltada à democratização coletiva do acesso a arte, por intermédio de debates e palestras contando com a história de grafiteiros brasileiros mundialmente reconhecidos como forma de esclarecimento populacional. Assim, concretizar-se-á uma sociedade que colabore com todas os meios de expressão.