Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 06/08/2021

O relativismo é o conceito de que os pontos de vista não tem uma verdade absoluta ou validade intrínseca, mas de um valor relativo de acordo com as direnças de consideração e percepção. Todavia, de maneira semelhante a esse conceito, é certo que a questão da valorização da arte urbana no Brasil ainda enfrenta desafios no que tange essa perspectiva, pois não deixou de ser “mal vista” perante a sociedade, evidenciando assim a intolerância a cerca de um determinado tipo de arte. Desse modo, é lícito afirmar que as raízes históricas, bem como a falta de investimentos contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

A princípio, deve-se pontuar que as raízes históricas do país são fatores que propiciam políticas discriminatórias no âmbito artístico e isso colabora para dificultar a inclusão de diferentes tipos de obras. Isso decorre, principalmente, pela crença em um fator de estética, comprovando a teoria do Habitus de Pierre Bourdieu, que demosntra como ações podem ser incorporadas como verdades ao contexto de uma sociedade específica, no caso, uma utopia de que a arte deve ser sublime e ideal, totalmente indiferente aos problemas sociais que a arte revela. Logo, é substancial a mudança desse quadro, pois se faz necessário mais artes que critiquem os problemas da atualidade.

Outrossim, é imperativo que a posição dos investidores em relação à arte urbana ainda é negligente e é um fator que colabora para uma dificuldade de valorização da arte urbana. Nessa perspectiva, segundo Emilé Durkhein, sociólogo francês, o comportamento individual é afetado por fatores sociais que estão acima de qualquer indivíduo, evidenciando assim uma perspectiva de coerção. Sob essa ótica, constata-se que essa influência moldou o comportamento do cidadão a desprezar e não considerar tais manifestações, que são feitas em maioria por pessoas de classes mais baixas, como arte. Dessa forma, com a concepção de arte elitizada, os investidores tendem a não valorizar essa expressão artística, o qual contribui para a exclusão da população restante.

É necessário, portanto, que medidas sejam atendidas para combater os desafios enfrentados pela arte urbana. Posto isso, o Ministério da Cultura, deve, por meio de um edital, instaurar um programa de subsídio que promova a arte urbana em todos os espaços da sociedade, um fim de promover o acesso e a valorização dessa expressão. Ademais, o subsídio deve ter destaque nas áreas mais periféricas dos grandes centros urbanos, pois é nessas regiões que os artistas desenvolvem a arte urbana, além de ter o objetivo de levar essa arte também para os centros das grandes cidades. Dessa maneira, o conceito de relativismo será aplicado na questão da valorização artística brasileira.