Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas Morus, é retratada uma sociedade perfeita, ausente de problemas e de conflitos. Entretanto, tal situação opõe-se à realidade brasileira atual, uma vez que o país encontra inúmeros desafios para a valorização da arte urbana. Desse modo, cabe avaliar que a negligência estatal e o preconceito cultural são fatores que promovem a permanência dessa problemática no Brasil.

Em primeira instância, é válido ressaltar o papel fundamental do Estado no que se refere ao acesso e à valorização da cultura na sociedade. Segundo o filósofo brasileiro Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, determinadas leis presentes na Constituição não são postas em práticas, permanecendo, portanto, apenas na teoria. De maneira análoga, nota-se que apesar da Legislação garantir a valorização das manifestações culturais, diversas artes, como o grafite, sofrem com a ausência de incentivo por parte do Estado e, consequentemente, torna-se, pela falta de informação, uma cultura denegada no corpo social.

Outrossim, é importante destacar o intenso preconceito de certa parcela da população com a arte urbana. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua teoria de “Habitus”, o homem incorpora estruturas sociais impostas à sua realidade e, em seguida, naturaliza tais padrões, tornando-os hábitos por longas gerações. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que o preconceito com culturas marginalizadas é praticado desde o período colonial, em que as manifestações culturais dos índios, por exemplo, eram silenciadas e criticadas pelos portugueses. Assim, a discriminação dessa categoria de arte dificulta a sua valorização no país.

Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigar esse problema. Logo, cabe ao Ministério da Educação incentivar a construção de instituições artísticas por todo o Brasil, por meio da parceria com empresas privadas para promover as instalações em locais centrais e periféricos. Isso deve ser feito com a participação ativa de artistas de diversas categorias da arte urbana, para adequar essas intalações à cultura dessa população; a fim de ampliar o acesso à arte urbana e aproximar-se da sociedade utópica e perfeita de Thomas Morus.