Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/08/2021
O longa metragem norte-americano “Ela dança, eu danço”, retrata a tentativa de um grupo de amigos em fazer protestos e pontuar injustiças sociais por meio do uso da dança e da arte urbana. Fora do cenário fictício, quando se é vislumbrada a atmosfera das elaborações artísticas nos centros citadinos do Brasil, esse quadro ainda é alvo de incontáveis desafios e de inúmeras incontáveis críticas. Nesse sentido, tanto a segregação cultural, quanto o preconceito estrutural corroboram para a persistência de uma ótica restrita e retrógrada no território tupiniquim.
Em primeira estância, cabe destacar que o caráter histórico da arte voltada para os grupos de elite da sociedade contribui para a permanência de visões excludentes no mundo artístico hodierno. Conforme o filósofo Michel Foucault, o corpo social contemporâneo atua como um agente de normalização, exigindo de todos um comportamento que se adeque aos padrões impostos aos indivíduos. A partir dessa perspectiva, em consonância com as ideias do autor, a herança cultural das produções artísticas como um recurso destinado a classe alta perpetua-se na coletividade e, dessa forma, favorece a marginalização das manifestações urbanas, a exemplo do Street Art.
Ademais, é valido pontuar o estigma social relacionado as criações artísticas nas cidades brasileiras como um fator responsável pelo fenômeno de segregação, já que essas intervenções são, muitas vezes, consideradas vandalismo. Nesse contexto, a geração de 1970 caracterizou-se pelo emprego da Poesia Marginal, produção literária que rompia os tabus e valores da comunidade convencional e academicista. Concomitantemente a isso, a arte urbana, por não se encaixar nos típicos moldes culturais, é alvo de censura da parcela conservadora da população brasileira. Desse modo, as pinturas nas paredes dos edifícios citadinos, embora, muitas vezes, visem embelezar o ambiente, ganham um aspecto negativo e preconceituoso.
Portanto, são necessárias o desenvolvimento de medidas capazes de reverter esse pensamento discriminatório no Brasil. Para tanto, urge que os meios de comunicação, em parceria com o Governo Federal, promovam ações de valorização ao trabalho dos grafiteiros, por meio da criação de campanhas propagadas na mídia que expõem a importância sociocultural das artes urbanas, a fim de mitigar o pensamento elitista nesse ambiente. Outrossim, faz-se preciso que o Ministério da Educação, por intermédio de trâmites legais, efetue palestras nos espaços escolares acerca da importância das manifestações culturais, no intuito de diminuir a intolerância ao Sreet Art. Destarte, será possível visualizar mais casos como o mostrado no filme “Ela dança, eu danço”.