Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 10/08/2021
Durante o Império Romano, o grafite se tornou força de expressão contra atos políticos e manifestação cultural da sociedade. Porém, naquela época os conflitos estampados em muros pela plebe sofriam fortes preconceitos da elite romana, tornando o impasse atemporal. Ademais, no Brasil a arte urbana permanece sendo marginalizada por grande parte da população, visto que não existe empenho governamental para apresentar sua importância social e cultural.
Em uma primeira análise, é indubitável que o grafite ganhou força no contexto da ditadura, já que a censura e a opressão promoveram o engajamento da arte urbana em São Paulo. Logo, essa manifestação cultural se tornou voz da periferia que elevou a arte para debates que envolviam racismo, igualdade de gênero e desigualdade social. Entretanto, a maioria dos brasileiros não se interessa pelos benefícios dessas intervenções urbanísticas, haja vista que sua marginalização ocorreu devido a suas origens periféricas. Sendo assim, a mudança começaria com o estado legalizando a arte urbana e promovendo ações que reduzam seu preconceito, como sua história e importância sendo contada em museus.
Em uma análise mais aprofundada, é inegável que a arte urbana enfrenta preconceitos sobre a manifestação em locais públicos, a ilegalidade e suas origens. Contudo, a diferença entre grafite e pichação se torna um debate frequente, sendo que em outros países eles são considerados a mesma coisa. Assim, esse pensamento apenas distância as pessoas de conheceram à arte, criando uma hierarquia do que é ou não manifestação cultural. Segundo John Locke e a sua teoria da tábula rasa, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. Análogo a isso, é evidente que os empecilhos enfrentados pela arte urbana só podem ser vencidos se acabarmos com seu preconceito estrutural. Desse modo, a introdução do estudo da arte urbanística nas escolas pode possibilitar o conhecimento da sua importância na história do país.
Torna-se evidente, portanto, que a valorização da arte urbana exige soluções imediatas. Por isso, é dever do Ministério da Educação, como principal responsável pelo desenvolvimento ético e cultural dos alunos, introduzir nas escolas o legado da arte em ambientes públicos e sua importância como manifestação de um povo, por meio de palestras sobre o tema e excursões pela cidade. Em suma, o estudante que se forma em um ensino que se preocupa em criar laços entre as intervenções urbanas e os jovens, garante um futuro com menos preconceitos com a técnica. Somente assim, será possível romper com a marginalização da arte urbana, por intermédio de experiências e influências como proposto por John Locke.