Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 09/08/2021
No período do século XVI, durante o Renascimento Cultural da Europa Ocidental, Leonardo Da Vinci, expoente artístico da Era Moderna, pintou o quadro da Mona Lisa, gerando grande inquietação da comunidade intelectual à época pelas inovações técnicas em sua obra. Nesse contexto, nota-se, contemporaneamente, que a arte urbana, como o grafite e a pichação, são incompreendidos por parte considerável da população brasileira. Tal fato se justifica porque o grafite é subvalorizado como arte, além disso, a pichação, apesar de criminalizada, é ignorada como canal de comunicação da arte.
Primeiramente, é preciso elucidar que o grafite é uma forma de arte contemporânea, capaz de sensibilizar o ser humano com suas expressões em figuras e cores, entretanto, por ser uma arte periférica, oriunda da cultura das ruas, por diversas vezes sofre reveses, que vão de encontro à exteriorização desse tipo de manifestação. Segundo o jornal digital El País Brasil, em 2017, João Doria, prefeito de São Paulo, em uma atitude arbitrária, mandou apagar diversos grafites, em situação regular, na capital paulista. Nesse sentido, percebe-se que o grafite é visto como subproduto artístico, haja vista que mesmo obras grafitadas, em locais autorizados, são alvos do autoritarismo de ações públicas contrárias à essa arte, a qual, de acordo com o governo brasileiro, é descriminalizada desde 2009.
Outrossim, pode-se notar que a pichação, por mais que seja contra a lei, transmite diversas mensagens à sociedade brasileira, demonstrando que, apesar da sua arte polêmica, a pichação cumpre a função artística, a qual se resume em criar sensações, inquietantes e/ou harmoniosas, nos seus espectadores. De acordo com Luiz Felipe Pondé, professor e filósofo, a pichação cumpriu importante papel durante a ditadura militar no Brasil, exprimindo nos muros das cidades mensagens de resistência ao sistema vigente, incentivando os movimentos contra a ditadura e causando a cólera dos apoiadores do regime. Logo, percebe-se que a pichação funciona como canal de comunicação entre artista e sociedade, com capacidade para transmitir mensagens revolucionárias em situações diversas.
Desse modo, faz-se necessário criar medidas para valorizar o grafite como arte e reconhecer a pichação como a expressão de certa parcela populacional. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação, por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), introduza nas aulas de artes e português o grafite como expressão artística, para que, assim, os futuros adultos tenham consciência da importância desse tipo de arte. Ademais, é necessário que o Ministério da Cidadania através de eventos culturais aproxime pichadores e sociedade em geral , dessa maneira, possibilitando melhor entendimento da mensagem social que advém das pichações. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade renascentista do século XXI, em que a arte urbana proverá diversas Monas Lisas.