Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 10/08/2021
Em 1964, a ditadura militar brasileira deu início a variados meios de opressão e controles sociais, o que instigou diversas parcelas da sociedade a buscarem formas de reagir contra esse movimento. Nesse sentido, sendo percebida primeiramente em meados da década de 1970, a arte urbana brasileira emergiu em meio a uma tentativa de protestar contra a situação nacional, o que concretizou sua importância social. No entanto, no século XXI, esse estilo de expressão artística enfrenta diversos obstáculos, sendo pouco valorizado pelos cidadãos brasileiro, devido à ausência de sua promoção nos espaços educacionais e à inexistência de incentivos governamentais eficientes, o que deve ser combatido.
Em primeira análise, deve-se compreender o papel das instituições educacionais brasileiras no tocante à valorização da arte urbana. Por exemplo, apesar dos diversos tipos de expressões artísticas serem estudadas no meio escolar, os métodos tradicionais são insuficientes na promoção de seu reconhecimento. Nesse âmbito, o conceito de ‘‘Instituições Zumbis’’, do sociólogo Zygmunt Bauman, ilustra essa problemática, que consiste em organizações públicas que, apesar de existirem, não cumprem sua função com eficácia. Logo, tais barreiras devem ser atenuadas, a fim promover a arte urbana no país.
Outrossim, a falta de subsídios estatais que incentivem as práticas artísticas nos grandes centros contribuem com a sua desvalorização. Nesse sentido, projetos governamentais, como a Lei Rouanet, criada em 1991, se revelam engessados, à medida que são carentes de recursos ou previlegiam outros meios artísticos já em ascensão no Brasil. Dessa forma, é indubitável a amplicação e o redirecionamento de auxílios financeiros à artístas urbanos do país verde-amarelo, os quais concretizam diversas funções sociais por meio de suas expressões.
Portanto, para que a valorização da arte urbana no Brasil seja potencializada, é mister que o Ministério da Educação promova campanhas educacionais, por meio das redes sociais, que divulguem artistas contemporâneos desse meio, a fim de alavancar a conscientização dos brasileiros sobre sua importância. Ademais, o Governo Federal deve ampliar os recursos financeiros destinados a Lei Rouanet, por meio do Tribunal de Contas, órgão responsável pela liberação de verbas estatais no país. Desse modo, com mais incentivos e divulgações, a arte urbana brasileira será ainda mais valorizada, podendo exercer sua contribuição estética e social, assim como já se concretizou em 1970.