Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/08/2021
Fértil berçario egípcio, a Biblioteca de Alexandria foi um monumento que durante muito tempo guardou as principais obras da Antiguidade, propagando conhecimento e cultura. Porém, durante a Guerra Civil Romana foi incendiada e destruida, o que trouxe copiosos dados e atrasos à humanidade. Da mesma forma, a arte urbana sofre com intensos ataques periódicos, que apesar de serem diferentes do apresentado na biblioteca, possuem um fim em comum, a destruição dessa arte, fruto da desvalorização e do descaso com esse patrimônio. Destarte, não só o preconceito para com o grafite, mas como a contribuição dessa arte para o exercício da cidadania, são questões a serem abordadas.
Cabe resaltar, a priori, que as maiores obras de arte sempre foram um objeto de nobreza, de status ou de riqueza. Isso porque, durante o Renascimento Cultural, por exemplo, a maioria delas eram financiadas pelos chamados ‘‘mecenas’’, burgueses que possuiam muito dinheiro, sendo assim um símbolo de status social. Foi durante esse período que grandes artistas surgiram, tal como Donatelo, Michelangelo ou Rafael. Assim, no meio da riqueza as principais pinturas desse período surgiram, o que é totalmente contrário do contexto do grafite, que surgiu nas periferias e nas favelas. Nesse viés, muitos estígmas e preconceitos surgem a partir dessa ideia, quer dizer, pelo fato de ter sua origem nas favelas, ainda há muita recusa do grafite como meio artístico.
Por outro lado, apesar de sua desvalorização, a arte urbana apresenta-se não só como meio cultural, mas também de protesto. Isto é, pelo fato de ter surgido em um meio pobre e marginalizado, suas gravuras sempre garregaram marcas de segregação, de descaso e de dificuldade. Não obstante, cada pintura dessa relata a realidade desse meio de sofrimento, o que caracteriza por ser um instrumento importantíssimo de denúncia das mazelas sociais e de firmamento da cidadania, já que segundo o artigo 5 da Constituição Federal o direito á livre expresão de ideias e pensamentos é inalienável ao cidadão. Logo, tem-se tal arte de suma importãncia para a manutenção da democracia e da conquista do bem-estar de todos.
Com isso, vê-se que o grafite deve ser valorizado pois, apesar de sofrer com preconceitos, apresenta-se como meio de exercício dos direitos. Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, valorizar nas escolas não só as grandes obras Clássicas, mas também aquelas surgidas em meios desafurtunados, através de aulas lúdicas realizadas pelo professor, além de eventos artísticos, que tragam pintores desse meio, a fim de incentivar e engrendecer tal arte. Feito isso poder-se-á ter um país que a arte urbana será preservada, diferente do que aconteceu na biblioteca de Alexandria.