Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 11/08/2021

Em um país rico em intervenções artísticas espalhadas pelas ruas, a pichação “Deus é mãe”, produzida pelo artista Robinho Santana em Belo Horizonte, sofre investigações policiais sob o pretexto de criminalização ambiental. Não sendo um caso à parte, a arte urbana no Brasil enfrenta desafios para, enfim, ser valorizada pela sociedade. Observa-se, então, a presença de um delicado problema que tem como causas a permanência histórica e a falta de um ensino educacional humanizado.

Nesse contexto, salienta-se que a persistência de ideais que datam de um passado histórico em relação a arte urbana é um entrave presente na problemática. Sob esse prisma, tal continuidade é verificada ao analisar o período ditatorial brasileiro, momento no qual eclodiram diversas manifestações artísticas urbanas em forma de protesto, sendo vistas pela sociedade como uma arte marginalizada. Esse pensamento de marginalização perdura até os dias hodiernos, em um nítido preconceito social que abala os artistas que buscam se expressar nas ruas.

Em paralelo, vale ressaltar que a precariedade de um ensino que valoriza a arte urbana é um desafio no que tange ao problema, Em meio a isso, é pertinente trazer o pensamento da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Seguindo o raciocínio da pensadora, é evidente a carência de um ensino pedagógico humanizado que visa desconstruir a narrativa da arte de rua como marginalizada, reconhecendo o seu real valor e importância para a sociedade. Portanto, faz-se necessário uma maior intervenção didática diante da desvalorização da chamada ‘street art’, visando uma mudança desse quadro de dificuldades.

Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam necessárias para solucionar esse entrave. Por conseguinte, o corpo social, principal responsável pelos desafios enfrentados para a valorização da arte urbana brasileira, deve investir em campanhas educativas para conscientizar a população. Para isso, os colégios e outras instituições devem organizar oficinas retratando a importância da arte de rua, disponibilizando-as para um público aberto. Dessa maneira, será possível romper os paradigmas existentes em relação à arte urbana, contrariando o pensamento existente durante a Ditadura Militar no Brasil.