Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 06/09/2021
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só propride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, verifica-se que esse ideal consta na teoria e não desejavelmente na prática, seja pela perpetução da associação da arte urbana com o vandalismo; seja pela necessidade de maior investimento para a popularização da arte de rua.
Em primeiro plano, é importante ressaltar como a associação da arte urbana com o vandalismo dificulta a valorização desse tipo de arte. Dessa forma, a arte da rua que tem como objetivo fazer críticas e adornar centros urbanos e que surgiu no Brasil na década de 70 como forma de prostestar e reivindicar direitos, é vista por parte da sociedade como uma forma de depredação. Assim, mesmo que a partir de 2009 tenha sido aprovada a lei 706/07 descriminalizando a arte de rua, ainda existe um grande estigma, o que gera a marginalização dessa expressão artística.
Outrossim, destaca-se a necessidade de maior investimento na arte de rua no Brasil. Nesse sentido, a arte urbana que normalmente apresenta críticas relevantes, que contribui para estimular o senso crítico e o aprendizado, não recebe investimento e a atenção que precisa, inviabilizando sua popularização. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não garante direitos essenciais como lazer, educação e liberdade artística, o que é evidente no país.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Desse jeito, o governo deve, por meio de campanhas e aplicação de lei, investir em projetos com palestras, oficinas de arte e debates nas escolas e nas faculdades com a a participação de toda a sociedade, visando reduzir o preconceito com a arte urbana. Além disso, o governo deve, por meio de projetos de lei e parcerias, disponibilizar espaços para a criação de galerias a céu aberto em praças e centros urbanos, para a exposição da arte de rua, a fim de existir um maior investimento na arte urbana no Brasil.