Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/10/2021

O filósofo italiano Tomás de Aquino defende que todos os indivíduos de uma sociedade democrática precisam ser tratados com a mesma importância, além de compartilhar dos direitos e deveres civis. No entanto, no Brasil, a cultura, principalmente em relação à valorização artística, se vê elitizada e concentrada apenas nos grandes centros. Desse modo, dois aspectos importantes se destacam: a falta de acesso à cultura na sociedade e o preconceito artístico nas regiões afastadas dos grandes centros.

Primeiramente, é indubitável que existe uma desigualdade gigantesca em relação à produção artística no território brasileiro, tendo em vista que a maioria está localizada nos grandes centros. Segundo dados do portal G1, cerca de 70% das cidades brasileiras não possuem museus para o entretenimento do público, o que explicita a realidade da cultura nacional: o museu é, hoje, um privilegio metropolitano. Conquanto, evidencia-se a carência do público consumidor e a falta de incentivo à expansão do estabelecimento artístico nas regiões mais afastadas.

Outrossim, é notória a dificuldade encontrada no aceso a essa forma de cultura, uma vez que, por ser ainda escassa nas periferias, tem o preconceito da comunidade. Nesse sentido, o filósofo e sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, a sociedade deve debater e ressaltar a importância do combate ao preconceito artístico para todas as classes sociais. Sendo assim, fazem-se necessárias políticas que busquem soluções dos desafios para a democratização da arte urbana, de forma que a ótima expectativa apresentada por Habermas seja valorizada no Brasil.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente a falta de valorização da arte urbana no país, seja no aspecto social, seja no estrutural. Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria público-privado, incentivar a construção de instituições artísticas por meio de um acordo de isenção fiscal progressiva relativa à distância da cidade em relação aos grandes centros urbanos, a fim de que a tradição cultural se expanda para todo o território nacional e possa chegar nas áreas mais remotas. Ademais, o Governo Federal deve ampliar a Lei da meia-entrada para além de 29 anos em relação aos estabelecimentos culturais, permitindo que as pessoas de baixa renda, independentemente da idade, possam ter seu desconto garantido, com o intuito de promover acesso de todas as classes sociais e de todas as faixas etárias. Somente assim, agiremos de acordo com Tomás de Aquino e nos afastaremos da realidade de Habermas.