Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 12/09/2021

A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social francesa do século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange ao reconhecimento da arte urbana na sociedade brasileira, essa que hodiernamente é classificada como uma cultura social marginalizada, criando, na realidade, uma problemática latente intensificada pela ausência de investimentos culturais bem como a legitimação de estigmas e preconceito a expressão artística metropolitana.

Nessa perspectiva, é evidente como a falta de subsídios financeiros públicos que podem oferecer reconhecimentos concretos e ativos a essa beleza citadina, é uma das razões pelas quais o problema persiste. Consoante ao discurso de Karl Marx, o governo é passivo frente aos problemas sociais. Dessa forma, observa-se a persistência da desvalorização da arte urbana. Nesse sentido, as críticas de Marx se fundamentam, pois, o Estado Brasileiro não promove de forma eficiente políticas públicas para neutralizá-la, e isso, por sua vez, contribui para empobrecimento cultural nacional, já que formas artísticas tipicamente brasileira, em destaque expressões culturais em painéis de edifícios, são incentivadas ao esquecimento e marginalização, dado que exclui visões diversificadas em um país originalmente multiplural.

Ademais, pode-se considerar a influência dos estereótipos condicionados a arte urbana como fator atuante na permanência da problemática. Concordante ao pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Sob essa ótica, a utilização de preconceitos como premissa de julgamentos a cultura artística urbanizada, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes indissociáveis ao passado brasileiro, uma vez que a evolução das intervenções artísticas perpassa momentos cronológicos como trabalhos negativos, o qual indevidamente os relacionam a atos de vandalismo e crimes diversos o que dificulta a sua resolução.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar esse impasse. Desse modo, a Secretaria Especial da Cultura, órgão subordinado ao Ministério da Cidadania, deve planejar estratégias legislativas e financeiras por meio de diálogos com o congresso nacional, a fim de aprovar leis que colaborem com incentivo a valorização da arte urbana. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania promover campanhas de apreciação às obras locais, por meio de feiras e exposições públicas a fim de mitigar estigmas. Para que, assim, “os miseráveis” de Victor Hugo seja apenas uma relação distante ao recolhimento da urbanografia.