Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 15/09/2021

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás todo o universo […]”. Com base nessa síntese, o filósofo Sócrates propõe que as pessoas utilizem o autoconhecimento como meio para entender os fenômenos naturais e sociais da vida. Nesse sentido, a arte urbana contribui de maneira direta nessa compreensão graças ao caráter instigante de ponderação que as obras possuem. Assim, no Brasil, esse instrumento de reflexão é, muitas vezes, desvalorizado e enfrenta desafios para que esse paradigma mude, tanto no que tange à falta de estímulos dos órgãos governamentais para com o seu consumo, quanto em relação ao estigma social existente nesse tema.

Antes de tudo, o governo nacional não incita o consumo dessas artes. Assim sendo, de acordo com a lei da Inércia de Isaac Newton, a tendência de um corpo é de permanecer parado quando não há nenhuma força exercida sobre ele. Nesse contexto, esse princípio pode ser aplicado na questão da falta de valorização da arte urbana no Brasil, visto que não existem políticas públicas para o estímulo à produção e ao consumo dessas obras. Destarte, essa falta de compromisso pode ser observada na ausência de aulas aprofundadas e atividades extracurriculares sobre essa modalidade artística nas escolas, a qual é uma atitude injustificável, dado que a essas expressões estão presentes no cotidiano de diversas cidades brasileiras. Desse modo, a falta de condutas do Estado faz com que o enaltecimento dessas manifestações não aconteça.

Ademais, as expressões artísticas urbanas sofrem preconceito pela incompreensão da sociedade. Dessarte, conforme o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Diante dessa perspectiva, a população, muitas vezes, tem a opinião de que a arte urbana é feita por marginais que invadem propriedades privadas. Além disso, essas concepções, em geral, são construídas por casos isolados de criminosos e pelo desconhecimento, já que existe uma  ausência de disseminação de debates acerca dessas manifestações. Dessa forma, a compartilhamento de ideias dos artistas com o público é de suma importância para acabar com a ignorância e os prejulgamentos das pessoas.

Portanto, é preciso que esse estigma seja rompido e que essas expressões sejam valorizadas. Dessa maneira, o Ministério da Cidadania, com o apoio de artistas e escolas de todo Brasil, deve, por meio de verbas públicas, criar espaços de arte urbana em todo país. Com efeito, seriam locais abertos ao público e contariam com artistas da região para explicarem o caráter reflexivo de suas obras aos observadores. Então, para estimular a frequentação desses pontos, alunos de escolas seriam convidados a aparecer junto com a presença de seus amigos e familiares. Por fim, com o suporte dessas ações, o governo daria visibilidade à arte urbana e a sociedade acabaria com sua ignorância.