Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 08/10/2021

O documentário PIXO mostra a cidade de São Paulo, expondo a pichação como uma arte construtora de códigos, compreensíveis somente por indivíduos inclusos nesse meio de produção. Além disso, esta prática é apresentada como fruto de questionamentos e desapegada da necessidade de semântica. Apesar disso, o movimento é desvalorizado, juntamente com outras obras urbanas. Desta forma, faz-se necessário compreender o papel social da arte urbana e sua ligação com seu processo histórico, no Brasil, para entender a construção da desvalorização dessa forma de expressão como tentativa de homogeneização cultural.

À priori, esse tipo de produção tem seu florescimento na Grécia Antiga, a partir de cantores homéricos que enfeitavam as ruas das cidades com suas vozes. Na Idade Média, os poemas trovadorescos, expostos em vilarejos, tomam lugar das canções. Enfim, no Brasil, esta formatação artística chega próximo aos anos 70 com grafites de protesto contra a ditadura, ganhando posteriormente a periferia. Consequentemente, a grande diferença de valorização entre as produções está semeada nos diferentes estratos sociais que cada uma comporta. Pois, a história da arte urbana brasileira esbarra no confronto entre cultura popular e erudita.

Nesse enredo, a arte urbana se distancia da aceitação da elite pela sua proximidade com a subversão. Com esta diferente simbologia entre as produções é semeado a degradação do artista e da arte. Diante disso, o apagamento dessa faceta da arte mergulha na invisibilidade do povo. Deste modo, cabe ressaltar o caráter representativo da produção artística para formação identitária de um grupo social. Como consequência desse poder simbólico, a degradação da imagem da arte urbana é vendida pela indústria cultural em tentativa de homogeneização dos corpos, e produção de uma cultura de massa, que desmonta o subjetivismo, facilitando o controle. Assim, a arte urbana é viva e permeia o cotidiano da massa, nesse sentido, sua desvalorização é silenciamento, sua produção é anúncio: de questionamentos e de uma necessidade de desconstrução de um modelo social para que haja nova construção.

Verifica-se, então, a necessidade da intervenção do Ministério da Cidadania frente a desvalorização da arte urbana. Esta mediação deverá ser realizada por intermédio das secretárias de cultura, a partir de oficinas que visem ensinar a seus integrantes a produção e compreensão das artes urbanas. Elas contarão com a presença de artistas populares que criem ao final do projeto uma produção social e cultural com os cidadãos, o que criará uma maior consciência e conservação desse tipo de arte na sociedade.