Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 29/09/2021
O documentário “Pichação e Vida” retrata o cotidiano de pessoas que são vistas como marginais por pintarem em paredes aos redores das cidades. Assim como é contextualizada na narrativa, não há, ainda, a plena construção de uma sociedade que valorize a arte urbana, tendo em vista que, no Brasil, a arte popular é constantemente rejeitada, sendo tal eixo a maior causa da problemática em questão e que contribui, dessa forma, para a marginalização de diferentes culturas.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a elitização da arte brasileira auxilia massivamente na desvalorização de formas de manifestações populares, como a pintura urbana por grafite. Segundo dados da POP123, cerca de 43% dos adultos brasileiros acreditam que a arte urbana deveria parar de existir e que os movimentos de expressão tidos como chiques e eurocêntricos deveriam tomar mais espaço na sociedade brasileira. Tal dado revela que a arte popular é constantemente rejeitada pela maioria da população do país e essa maioria dá maior valor aos tidos como chiques e europeus. Dessa maneira, órgãos como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) falham ao não conseguirem construir uma imagem limpa dessas manifestações urbanas e acabarem com as visões negativas que ainda rodeiam os praticantes de tais movimentos.
Por conseguinte, essa desvalorização massiva auxilia na construção de um estigma de marginalização aos grupos artísticos que se manifestam através dos centros urbanos. De acordo com o G1, em 2019, um policial paulista prendeu 7 pichadores de paredes sem eles estarem cometendo nenhum crime. Conforme o depoimento de uma das vítimas, eles estavam pintando a sua própria casa e o policial alegou que eles eram usuários de drogas e “mentirosos vagabundos”. Sob essa ótica, torna-se evidente as consequências geradas pela desvalorização da arte urbana, aonde diversas pessoas sofrem por apenas praticarem um passatempo que é visto erroneamente pela sociedade. Logo, torna-se claro que medidas devem ser tomadas para mudar o cenário da problemática em questão.
Portanto, os caminhos para a consolidação de uma sociedade que respeite a arte urbana são pautas relevantes e carecem de soluções. Desse modo, o IPHAN, principal órgão brasileiro que lida com as manifestações culturais, por meio de emendas parlamentares, deve criar um projeto de palestras sobre a valorização da cultura urbana popular. O projeto deverá ter o objetivo de instruir as pessoas sobre as diferentes formas de manifestações artísticas e contribuir, assim, para a consolidação de uma sociedade mais respeitosa, que evite o cotidiano apresentado no documentário “Pichação e Vida”.