Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 06/10/2021

de acordo com o escritor russo leon tolstoy, a boa arte é aquela compreendida por todos. Dessa maneira, a arte urbana se encaixa nesse preceito, visto que grande parte da população consegue se identificar com ela. O direito a tal manifestação, por conseguinte, é essencial para a população atual, já que está associada à redução das disparidades socioculturais. Apesar disso, ela enfrenta desafios ligados, majoritariamente, ao preconceito contra a arte popular. Diante do exposto, é válido ressaltar que a cultura é primordial para o reconhecimento de um povo e para a sensação de pertencimento a ele. Dessa maneira, as intervenções no meio urbano ajudam uma população, comumente excluida dos diversos âmbitos socias, a entrar em contato com a sua comunidade, já que seus elementos identitários se encontram nas vias das urbes. Nesse sentido, infere-se que a existência desse tipo de arte é imprescindível hodiernamente, visto que os grupos em vulnerabilidade social, ao se tornarem mais coesos, são capazes de lutar pelos seus direitos e pela ocupação de espaços em que antes não se sentiam pertencentes. A exemplo dessa conjuntura, tem-se o projeto “Lá da Favelinha”, uma Organização Não Governamental (ONG) que atua no Comglomerado da Serra em Belo Horizonte. Tal programa visa à redução das desigualdades sociais por meio da arte, especialmente do grafitte, já que disponibiliza aulas gratuitas dessa modalidade artística para as crianças da comunidade, de modo que elas possam se reinserir na sociedade. Em vista disso, observa-se a importância da propagação das manifestações populares urbanas.

É fundamental salientar, ainda que muito embora seus benefícios sejam conhecidos, a arte urbana é costumeiramente desvalorizada e inferiorizada. Tal fato ocorre, uma vez que as manifestações academicistas e europeias são tradicionalmente mais valorizadas, mesmo que grande parte dos cidadãos não tenha acesso a elas ou não consiga entendê-las. Em vista disso, uma grande parcela da população menospreza a cultura urbana brasileira, devido à errônea concepçaõ de que as intervenções nas cidades se caracterizam como vandalismo ou depredação do patrimônio. A fim de exemplificar essa conjuntura, tem-se o recente caso ocorrido em belo horizonte, no qual o projeto CURA de arte urbana foi processado por moradores de um edifífico, que, apesar de terem concordado com o grafite no prédio, pediram que a obra fosse apagada, por retratar indivíduos negros cercados por escritos similares à grafia dos pixos. Desse modo, percebe-se a maneira discriminatória brasileira de tratar a arte não erudita ou europeia. Torna-se evidente, portanto a urgência de o Ministério da Educação promover a valorização das manifestações artísticas produzidas pela população preta e parda nas ruas dos grandes centros. Tal medida dar-se á por meio da instuição de oficinas nas escolas de ensino básico, nas quais será abordado, com a participação dos pais e dos responsáveis, a importancia da referida forma de cultura. Esse projeto contará com palestras, ogos e dinâmicas em grupo e será ministrado por sociólogos, pedagogos e artistas. A supracitada proposta terá a finalidade de aumentar o conhecimento artísticos dos jovens e dos adultos, de forma a desestigmatizar essas produções culturais. Assim sendo, os indivíduos marginalizados serão beneficiados, pois haverá um aumento da integração da população e uma diminuição das discrepancias socioculturais.