Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 10/10/2021

A série americana “Urban Street” retrata as diferençoes expressões artísticas urbanas ao longo do mundo, tendo um episódio especial para demonstrar a riqueza desse tipo de arte no Brasil. No entanto, a valorização dado pelo filme está longe de se manifestar como realidade no país, haja vista os desafios para a valorização da arte urbana no cenário brasileiro. Diante disso, observa-se a consolidação de um grave problema de constornos específicios, em virtude da desvalorização histórica somada à pressão da indústria cultural.

Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que o legado cultural de desvalorização da arte urbana é um empecilho à resolução da problemática. Sob esse aspecto, Mary Del Priore, em seu livro “História das Gente Brasileira”, disserta que, no Brasil, a arte urbana foi estigmatizada desde suas primeiras manifestações, sendo caracterizado como inferior e, muitas vezes,  atrelada ao vandalismo urbano e a destruição do patrimônio público. Tal fato é ratificado ao observar o episódio do programa “Profissão Repórter”, intitulado “Arte Urbana”, em que pesquisas divulgadas demonstaram que a arte urbana é ainda vista de maneira negativa por boa parte da população.

Ademais, outro fator que corrobora o cenário atual é a supervalorização de algumas expressões artísticas promovida pela indústria cultural. Sobre essa perspectiva, Theodor Adorno, em sua tese, dissertou sobre a desvalorização da arte popular, entre elas a arte urbana, no contexto do capitalismo cultural. Nesse processo, o autor demonstra que somente as manifestações e produtos culturais que geram lucro para o sistema econômico são valorizadas e recebem apoio financeiro para seu desenvolvimento, enquanto os demais padecem de falta de visibilidade da sociedade. Assim, a arte urbana se torna invisível no âmbito cultural.

Fica claro, portanto, que o problema atual é resultado de um processo histórico atrelado ao interesse econômico. Urge, portanto, que o Ministério da Cidadania, com o apoio do Tesouro Nacional, priorize e aloque um fundo de investimentos para os artístas urbanos, para que eles possam criar e desenvolver suas artes nas cidades. Em paralelo, o Ministério também deve, por meio de parcerias com a mídia, criar campanhas de sensibilização e conscientização sobre a história da arte urbana e sua importância para o país. Tais campanhas podem contar com depoimentos de artistas, exposição de fotos das obras urbanas , bem como com produções audiovisuais com conteúdos relevantes. Dessa forma, a população poderá, enfim, valorizar a arte urbana, assim como representada em “Urban Street”.