Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, propõe um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão dos desafios para a valorização da arte urbana do Brasil, sendo que o preconceito e os problemas legais associados à atividade contribuem com a problemática apresentada.

Em primeira análise, segundo o filósofo Aristóteles, “a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade”. Por exemplo,  segundo o site Obvious Mag, em março de 2009 foi aprovada a lei 706/07 pelo governo brasileiro, responsável pela discriminalização da arte de rua. No entanto, sem a real efetividade legislativa e respeito da atividade mencionada, não há a garantia da real liberdade da ação.

Ademais, ainda é nítido o preconceito sofrido pelos artistas de rua, atrelado ao fato de fazerem parte de setores alijados de poder que usam da arte como forma de expressão. Sendo assim, um retrato evidente do fato apresentado é o apagamento da arte de rua na cidade de São Paulo em 2017, realizado a mando de João Dória, ex prefeito da cidade. Posto isto, é nítido a violação à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação, pois não há a valorização dos pichadores.

Feita essa análise, é evidente a necessidade de mudanças garantidoras do bem-estar social. Dessa maneira, é imprescindível que o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, atue com debates acerca da importância do respeito à urbanografia, por meio de escolas e associações de bairro, de modo a garantir maior conscientização coletiva acerca da problemática. Somente assim, poderão ser seguidos os preceitos de Adorno, em um caminho com menos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil.