Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/10/2021

Em 1917, a exposição modernista de Anita Malfatti, foi duramente criticada por pessoas que não enxergavam seus quadros como arte valida e passiva de disseminação no Brasil. Em paralelo, na sociedade atual, a arte urbana se vê caracterizada como a arte da Anita, marginalizada por indivíduos que julgam e têm má compreensão da arte além do preconceito. Sendo assim, é fundamental valorizar a arte de rua na sociedade brasileira, bem como seus desafios de criação.

É importante ressaltar, que a arte urbana é, de forma constante, criticada por pessoas que não a enxergam como de fato é, um meio de expressão política, religiosa e de protesto. Segundo a obra do artista e ativista Mundano, que utilizou as cinzas recolhidas de queimadas de biomas brasileiros e misturou com tinta, para realizar a reinterpretação do ‘‘O Lavrador’’, de Portinari, como forma de apresentar uma situação atual. Assim sendo, os cidadãos deverão conhecer o objetivo do processo de criação para valorizá-la.

Ademais, o preconceito também invalida o grafite como forma de arte. Apesar da discriminação e estranhamento do grafite, nos incisos IV e IX do artigo 5º presente na Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico no Brasil, o artista tem sua liberdade de expressão garantida pela lei. Dessa forma, desde que não haja prejuízos aos cidadãos, não há a necessidade de nulificar a obra do artista.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver os desafios da valorização da arte urbana no Brasil. Profissões da área da arte, como: Artes Plásticas, Artes Visuais e até mesmo Arquitetura e Urbanismo, por exemplo, que têm um envolvimento e entendimento maior do que é arte, poderiam se juntar a fim de promover trabalhos sociais, de conscientização à população, informando-lhes e até mesmo os ensinando a respeito do que é e quais são os papeis e funções da arte na sociedade, de modo que por meio da consciência do que de fato é arte, o respeito e a valorização estejam mais próximos de ser conquistada. Somente assim, poderemos expor com dignidade obras dignas do orgulho de Anita Malfatti.