Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Anita Malfatti, importante representante do movimento modernista nacional, fora, ao expor suas obras renovadoras, severamente criticada por renomados artistas tradicionalistas, como, por exemplo, Monteiro Lobato. Dessa forma, evidencia-se que as manifestações estéticas renovadoras, especialmente a arte urbana brasileira, são constantes alvos de críticas e repressões, o que a desvaloriza e impede sua ascenção hierárquica no contexto artístico. Porquanto, sobreleva-se a urgente necessidade de um debate crítico acerca dos principais fatores causais relativos à problemática: a hegemonia da indústria cultural voltada às massas e a imutabilidade da mentalidade conservadora arcaica.

Faz-se imprescindível salientar, primariamente, a influência da massificação estética na perpetuação desse cenário. Nesse sentido, o filósofo alemão Theodor Adorno, bem como seu contemporâneo Max Horkheimer, retificam que, com o hegemonismo do capital frente às relações sociais, as artes adquiriram um caráter mercantil, desvinculadas de sua “aura” — aspectos subjetivos únicos da manifestação expressiva do artista. Logo, por estarem vinculadas à um ideal de ruptura e de anti-alienação massiva, a arte urbana brasileira é abafada pela grande indústria cultural, que se mostra ameaçada pelo recrudescimento desses movimentos únicos.

Ademais, revela-se necessário salientar a consolidação do conservadorismo artístico e a hipervalorização do antigo como influentes fatores que impossibilitam o enaltecimento da arte urbana no Brasil. Assim, à título de exemplificação, efetiva-se relevante citar o contexto pré segunda guerra mundial, em que, ao temer a ascendência da arte moderna, carregada de inovações intelecto-culturais, Hitler, o ditador fascista alemão, ordenou a terminação do museu de arte moderna de Munique. Paralelamente, o preconceito contemporâneo à arte de rua revela-se como manifestação da rigidez tradicionalista de uma mentalidade completamente arcaica, que, decerto, deve ser desconstruida.

Frente à tal problemática, faz-se urgente, pois, a mobilização do Estado, que, por intermédio de investimentos educativos, faz-se no dever de combater esse horizonte. Por conseguinte, cita-se, como impactuante medida resolutiva, o enriquecimento crítico-cultural do povo brasileiro, tornando-o capaz de discernir a cultura industrial de massa da exteriorização da expressividade individual dos mais diversos artistas, bem como de interpretar tais exteriorizações. Tal feito impactuará diretamente na valorização desses indivíduos, para que, de tal forma, esses agentes culturais realizem-se estimulados a enriquecer a sociedade brasileira.