Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 12/11/2021

O artista norte americano Jean-Michel Basquiat, nascido na década de sessenta foi um grafiteiro que por meio da sua arte contribuiu para desmistificar o grafite para o mundo. Em contrapartida, no Brasil persiste a depreciação dessa forma de arte. Nesse sentido, o preconceito em torno da arte urbana e a falta de apoio das instituições sociais são desafios no caminho para a valorização dessa manifestação artística. Dessa forma, são prementes estratégias para superar esses impasses no Brasil em nome de um futuro com mais colorido.

De início, é lícito destacar que o preconceito em torno da arte urbana dificulta a sua valorização. Nessa perspectiva, cabe citar o documentário ‘‘Cidade Cinza’’, o qual retrata os desafios dos artistas de São Paulo e a incansável jornada de transformar os muros em telas gigantes. Fora das telas, a obra retrata a cruel realidade das pessoas que tentam sobreviver por meio da urbanografia. Sob esse prisma, a discriminação relacionada à arte em spray, constroi estereótipos que associam essas manifestações à criminalidade e à marginalidade. Posto isso, em razão desse preconceito, pode haver uma falta de emprego para os artistas e, consequentemente, a diminuição dessa classe.

Outrossim, é notório que a falta de apoio das instituições sociais incita a desvalorização da arte urbana. Nessa óptica, de acordo com a teoria do contratualismo de Rousseau, o Estado - dotado de poderes pelo povo - deve resolver todas as questões públicas, tais como o incentivo à arte de rua.Entretanto, as políticas de incentivo a essa expressão artística são inexistentes, ocasionando em um descaso estatal ao grafite.Isso ocorre,pois sem o incentivo do Estado as empresas que poderiam patrocinar esses grafiteiros não tem acesso a esse tipo de arte, ocasionando na indisponibilidade de espaço para o grafite e falta de equipamentos adequados.Dessa maneira, o fruto da ausência do papel governamental de incentivo a arte é a invalidação do grafite como arte para as grandes empresas.

Infere-se, portanto, que o preconceito em torno da arte de rua e a falta de apoio das instituições sociais geram a desvalorização dessa manifestação. Logo, é basilar que a Secretaria Especial da Cultura promova campanhas de valorização da arte urbana, por intermédio de campanhas nas redes sociais - como o Twitter e Instagram - com vídeos ao vivo que retratem momentos em que os grafiteiros executam a sua arte, enquanto contam a sua história, com o fito de mitigar a marginalização da urbanografia e a desinformação sobre a arte em spray. Dessa forma, no Brasil, poderá haver mais artistas como Basquiat.