Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 14/11/2021

Flip. Kobra. Os Gêmeos. Essas palavras retratam representantes brasileiros da arte urbana, os quais amargam o paradoxo de fazerem sucesso no exterior e serem desvalorizados no seu próprio país. Nesse sentido, tendo em vista o preconceito intricado na sociedade e a carência de apoio de instituições sociais, surge a magnitude da valorização da arte urbana no Brasil para superar esses desafios. São prementes, pois, alternativas capazes de promover o reconhecimento desse tipo de expressão, como forma de reverenciar, virtuosamente, essa técnica e os seus representantes.

A princípio, é fato que a discriminação e a falta de apoio à arte urbana promovem a sua depreciação. Nesse contexto, em sua obra “Um Olhar a Mais”, o psicanalista Antonio Quinet defende que a sociedade é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, um olhar preconceituoso sobre esse tipo de arte denuncia o desconhecimento da população sobre o seu significado. Isso porque essas expressões  são, frequentemente, associadas à marginalidade e ao vandalismo, o que contraproduz para o seu reconhecimento. Ademais, a falta de divulgação na mídia e  de espaço para os artistas apresentarem os seus trabalhos também dificultam, infelizmente, o enaltecimento das pinturas de rua. Posto isso, é necessário um olhar positivo e livre de estereótipos sobre a arte urbana, para que as suas mensagens sejam identificadas e acolhidas pela população.

Nessa perspectiva, é fulcral valorizar as manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público. Sob esse prisma, a escultura “O Pensador”, de Auguste Rodin, retrata o posicionamento crítico e reflexivo do ser humano. Fora das marteladas artísticas, entretanto, poucas pessoas seriam esculpidas pelo artista, pois grande parte da sociedade não reflete sobre as mensagens contidas nos painéis urbanos. Nesse âmbito, a partir do apoio estatal e midiático, a população poderia perceber a crítica social e a manifestação dos sentimentos dos artistas contidas na arte urbana e desenvolver uma conduta capaz de respeitar a liberdade de expressão dos autores. Assim, é imprescindível a valorização da urbanografia para democratizaracesso à cultura, visto que possibilita aos cidadãos o contato com a arte no seu cotidiano, ao se deslocarem pela cidade e se depararem com locais, como o Beco do Batman, em São Paulo, uma espécie de galeria de arte a céu aberto.

Portanto,  o preconceito e a falta de apoio são desafios para a valorização da arte urbana. Logo, é basilar que as instituições de ensino promovam programas lúdicos que visem à educação artística, por meio de jogos interativos, os quais abordem a relevância de todo tipo de manifestação, com exemplos de situações, como o respeito à diversidade e ao novo, com o fito de desenvolver nas futuras gerações um senso crítico capaz de apreciar todos os tipos de manifestações artísticas, livres de preconceitos.

Destarte, poderá haver, no Brasil, mais Flips, Gêmeos e Kobras.