Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 10/07/2022
O documentário “Pixo”, retrata a origem da pichação e sobre como se tornou uma expressão urbana desde os tempos da Ditadura Militar sendo, constantemente, desvalorizada. De maneira análoga, no Brasil, os artistas de rua enfrentam preconceitos e problemas legais ligados a sua arte, que, muitas vezes, interferem nos movimentos artísticos. Nesse prisma, cabe uma análise do principal motivador desse obstáculo para a valorização da arte, bem como seu efeito na sociedade brasileira.
Nesse sentido, observa-se que a marginalização é uma das maiores causas da dificuldade no reconhecimento das artes urbanas. Tal questão ocorre, pois a opressão da estrutura colonial, até hoje, interfere na capacidade de produção artística do país. Isso pode ser explicado a partir dos estudos de Lilia Schwarz, na qual afirma que a Independência do Brasil não gerou uma “Nação” mas sim um Estado, com ideais excludentes, sendo grande gerador de déficits em diversos setores, inclusive no cultural. Dessa forma, movimentos artísticos surgidos na periféria são vítimas constantes de um sistema que desvaloriza o intuito da arte e busca se concentrar na origem dos indivíduos, que, muitas vezes, buscam passar uma mensagem crítica mas são silenciados.
Ademais, convém pontuar que o principal efeito envolvido com os desafios para apreciação da arte de rua, são os problemas legais, que influenciam diretamente na carreira dos artistas. Isso ocorre porque, com o histórico de ser um movimento artístico marginalizado, medidas legais foram tomadas: considerando algumas manifestações urbanas um crime ambiental para quem realizasse sem permissão. Com isso, poucos artistas ganharam reconhecimento, entretanto, alguns deles têm ganhado visibilidade demonstrando que a arte de rua não é banal, como por exemplo, Alessandro Hipz- artista brasileiro que utiliza o grafite como meio de manifestação cultural- que demonstra através de suas pinturas a importância do enaltecimento dessa forma de expressão.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Cidadania, por meio das mídias, promova oficinas de arte urbana, visando à valorização desse movimento artístico pela sociedade, a fim de, assim como Alessandro, mais artistas possam ganhar notoriedade por meio de seus trabalhos, minimizando assim, os desafios enfrentados diariamente pela arte de rua no Brasil. Afinal, as galerias a céu aberto fazem parte da cultura brasileira.