Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/07/2022

A Constituição Federal de 1988 em um de seus artigos afirma a importância da valorização e proteção do patrimônio cultural brasileiro, no entanto, nota-se que tal direito cultural restringe-se à teoria, haja visto os desafios que a arte urbana enfrenta em busca por respeito e acolhimento. Nesse prisma, evidenciam-se dois importantes aspectos da problemática: a negligência governamental em relação à cultura e a disparidade socioeconômica.

De início, evidencia-se o descaso do poder público com as chamadas “artes de rua”. Consoante a Carta Magna, é dever do Estado apoiar e incentivar a valorização e difusão das manifestações culturais. Contudo, em oposição ao que é defendido na Constituição Federal de 1988, ocorre, no Brasil, a marginalização e desconheci-mento das artes urbanas como patrimônio cultural por parte tanto do segmento estatal quanto do tecido social, o que, por conseguinte, amplia a desigualdade social presente no cenário hodierno. Assim, enquanto a indiferença da administração pública permanecer vigente, difícil será a resolução dessa ponderosa questão.

Além disso, é notória a discrepância socioeconômica. Acerca disso, de acordo com o conceito de capital cultural do sociólogo Pierre Bourdieu, diferentes classes e grupos sociais deixam uma herança cultural mas nem todas são igualmente valorizadas. Tal cenário pode ser observado de maneira fácil na contemporanei-dade brasileira, pois, em concordância ao conceito do estudioso, realiza-se no país a valorização exacerbada de artes tradicionais enquanto a urbana, por ser praticada muitas vezes pela população menos privilegiada e retratar panoramas de suas rotinas, é constantemente tratada com apatia pelo corpo social. Desse modo, observa-se a desigualdade socioeconômica como alicerce do impasse.

Depreende-se, portanto a adoção de medidas que venham a conter os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Dessa forma, cabe à mídia atuar na desconstrução do imáginario de que a arte urbana é inferior por meio da elaboração de campanhas instrutivas que combatam sua marginalização. Assim, poder-se-á evidenciar o cumprimento de uma das normas da Constituição, que é o direito à valorização e proteção de suas manifestações culturais.