Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 30/08/2022

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, a qual o corpo-social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade brasileira contemporânea é o oposto ao que o autor prega, visto que a arte urbana está sendo reprimida e desvalorizada. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas o preconceito e o omissão governamental.

Diante desse cenário, a visão preconceituosa contra os artistas de rua influi decisivamente sobre o tema. Para Djamila Ribeiro, os seres humanos devem ser reconhecidos em sua complexidade. Porém, a sociedade tem uma visão estereotipada dos grafiteiros e pichadores, considerando suas obras como vandalismo. Por causa disso suas pinturas, muitas vezes são apagadas do ambiente urbano e suas expressões artísticas são silenciadas. Dessa forma é necessário desconstruir essa imagem negativa para que a complexidade desses indivíduos seja reconhecida e valorizada.

Além disso, a falta de investimento governamental é um grande empecilho na questão. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, tal responsabilidade não está sendo honrada, visto que o governo não proporciona recursos para incentivar os artistas urbanos, sendo que muitos deles são jovens que encontram na arte a única forma de escapar de problemas como a violência, as drogas e a depressão. Desse modo, é preciso tirar esse grupo da invisibilidade e proporcionar meios para praticarem sua cultura com liberdade e segurança.

Portanto, o governo federal deve implementar investimentos na arte urbana, por intermédio de programas sociais, nos quais deverão ter pontos de apoio nas cidades onde os artistas poderão se cadastrar para receber materiais para a pintura e apoio financeiro. Paralelo a isso, convém criar campanhas nos veículos midiáticos a fim de combater o preconceito contra os grafiteiros. Espera-se, com isso, que tenhamos uma sociedade mais justa e livre de problemas sociais, como no conto de Thomas More.