Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/09/2022
“A pluralidade é a lei da terra”. Essa frase de Hannah Arendt, filósofa alemã, deveria ser característica do Brasil, cuja plural e multifacetada cultura é manisfestada das mais diversas formas por todo o território tupiniquim. Apesar disso, a odierna realidade brasileira não condiz com essa idéia, ao passo que discrimina certas categorias de manifestação artística em virtude da ignorância e do preconceito, como é o caso da arte urbana.
A princípio, o preconceito apresenta-se como um dificultador da questão. É indubitável que as pichações tornaram-se rotineiras nas grandes cidades, muitas vezes realizadas com a alcunha de serem uma expressão artística. Infelizmente, essa prática contribuiu para que a sociedade passasse a enxergar artes urbanas autênticas como danosas à estética metropolitana, ao confundir arte com vandalismo. Assim, consolida-se um ambiente de intolerância com esse tipo de expressão cultural, fortalecendo um preconceito que insiste em enxergá-la como ilegítima.
Em segunda análise, destaca-se que essa problemática é grave já que representa uma agressão para com uma parcela da sociedade. Conforme Friedrich Nietzche, filósofo alemão, “A arte existe para que a realidade não nos destrua”. Dessa forma, é necessário compreender que a arte urbana representa a manifestação cultural de um povo, majoritariamente oriundo das periferias, que reproduz sua cultura através de grafites, músicas, danças e outras diversas formas, que são, também, em muitos casos, instrumento de denúncia de injustiças. Logo, tentativas de silenciar essas atividades são incompatíveis com Estado Democrático de Direito.
Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para combater a desvalorização da arte urbana. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, realizem “workshops” em escolas de nível médio e fundamental, bem como em praças, parques e demais espaços públicos de lazer, que abordem a arte urbana incentivando a sua prática, com aulas de canto, pintura, poesia e dança, rodas de conversa com artistas e shows financiados pelos governos estaduais, a fim de fomentar a atividade cultural.