Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 15/09/2022

As grandes metrópoles urbanas são marcadas visualmente, seja pela cor cinza das construções, seja pela cor preta dos asfaltos. Todo esse cenário escuro contribui para gerar um ambiente sombrio e triste. Contudo, o grafite adicionou cores nesse cotidiano e com isso mais vida. Porém, infelizmente, não são todas as pessoas que conseguem perceber os benefícios de uma vida mais colorida, em virtude de entraves relacionados com os diferentes preconceitos que atrapalham a valorização dessa arte urbana no Brasil.

O primeiro tipo de preconceito existente é em relação à uma visão conservadora de arte. Nesse sentido, existe um pensamento limitante, desde do renascimento, que valoriza apenas a arte como uma cópia fiel da realidade, como nos quadros de Leonardo da Vinci. Entretanto, com o advento das vanguardas européias no século passado essa noção foi desconstruída, principalmente, com a corrente artística do Dadaísmo que colocou um urinol em um museu para questionar esse padrão de uma arte bela. Dessa maneira, embora essa forma de arte perfeita tenha sido questionada muitas pessoas ainda persistem nessa visão restritiva e, em consequência, não conseguem entender a beleza da arte urbana.

O segundo tipo de preconceito existente é em relação à classe social de quem geralmente faz essa arte. Infelizmente, isso é histórico em um país com grande desigualde social como no Brasil. Nesse sentido, a arte que surge da camada periférica como a capoeira, funk, grafite não são valorizados pela elite em decorrência do preconceito social contra esses grupos. Essa hipocrisia é percebida em comparação de como a burguesia valoriza o Banksy, artista de rua britânico, que é aclamado pela crítica, mas deprecia os grafites expostos pelas ruas do país.

Portanto, a arte de rua não é prestigiada no Brasil por causa de visões ultrapassadas e elitista. Para reverter esse quadro, é fundamental que o Ministério da Educação - responsável pela elaboração da base curricular comum nacional - adicione nas aulas de artes capítulos para estudar a arte urbana, para que desta forma uma nova geração seja formada e saiba entender e valorizar essa nova maneira de expressão artística. Além, de promover excursões culturais para o Beco do Batman, por exemplo, para os estudantes apreciarem essa arte na prática.