Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 19/09/2022
Na canção “Comida”, eternizada pela banda “Titãs”, há uma discussão sobre a carência de “diversão” no cotidiano da população periférica, uma vez que a busca por alimento é priorizada em comparação ao entretenimento. Analogamente, existem muitos desafios para a valorização da arte urbana, muito comum em grandes centros, no Brasil. Desse modo, a elitização do meio artístico e o preconceito com a produção suburbana são entraves enfrentados pelos artistas dessa esfera.
Nesse sentido, há uma visão retrógrada, derivada do capitalismo, de que a verdadeira cultura é vista apenas em museus e colossais anfiteatros. Sob esse prima, o ativista político norte-americano, Naom Chomsky, defende que o neoliberalismo é um grande inimigo da democracia, visto que busca reprinir as camadas sociais mais baixas. Dessa maneira, o panorama elitista relacionado ao meio artístico em detrimento a “street art” procura restringir esse lazer, que é direito de todos, à parte do corpo social.
Outrossim, o preconceito em relação à criação de artistas urbanos, considerada marginalizada, leva a desvalorização da arte de rua. Sob esse ponto de vista, George Braque afirma que “Enquanto a ciência tranquiliza, a arte perturba”, uma vez que existe um incomodo com a manifestação artística em ambientes públicos. Desse forma, é perceptível que o estigma que envolve essa classe é provindo do paradigma social de que tudo que é provindo do subúrbio é inferior.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com artistas de grafite, hip hop e criações similares, promover a arte urbana em espaços públicos por meio da realização de eventos em regiões menos abastadas. Assim, como efeito social, haverá uma valorização desse meio e uma democratização do acesso ao lazer. Por fim, não mais o povo carecerá de “comida, diversão e água” como na canção “Comida”.