Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 24/10/2022

Na novela “Um lugar ao sol” a personagem Joy grafitava como forma de expressar suas emoções, porém era muito julgada por terceiros, que consideravam sua arte inferior por fazer dos muros uma tela. Assim como na ficção, na vida real a arte urbana é muito desvalorizada, dificultando seu reconhecimento e ampliação. Tal desvalorização ocorre pois essas intervenções rompem com a tradicional ideia de que só é arte se for conformativa aos padrões e está em poucos ambientes e consequentemente rompe também com o elitismo que é presente na arte, que não é acessível para todos.

O primeiro ponto a ser abordado é como o grafite rompe com a noção estética tradicional da arte e a presunção de que esta pertence a locais próprios, diminuindo seu alcance. Semelhantemente aconteceu com a escola artísticaModernista, muito criticada por fugir do clássico e por fazer a arte transceder dos museus e galerias, utilizando apelos populares a seu favor. Desta forma, é notável como tudo que não é comum a este mundo fechado e padronizado é discriminado.

Por conseguinte, ao permanecer em lugares específicos, a arte é também vista apenas por pessoas específicas, afirmando-se, então, como elitizada e pouco abrangente as massas. Assim, as intervenções artísticas urbanas, ao serem acessíveis são automaticamente hostilizadas e vistas como inferiores. Tal fato pode ser explicado pelo conceito de reprodutibilidade técnica, cunhada pelo sociológo Walter Benjamin, que diz que a arte, ao poder ser feita em maior escola, com a ajuda da tecnologia, torna-se ampla e popular, porém é desprezada por seus antigos detentores por não ser autêntica e original. De maneira similar é visto o grafite, que ao se aliar a modernidade e ter maior visibilidade é considerado inferior e fajuto.

Logo, devem ser pensadas políticas públicas que aumentem a amplitude e valorização da arte urbana. Primeiramente, as secretarias de cultura devem criar museus ao céu aberto, a partir da parceria com donos de prédios e uso de locais públicos, para que a arte seja comum, para que a arte transceda espaços fechados. Outra ação a ser feita é a criação de cursos extracurriculares de grafite e arte nas escolas, pelo Ministério da Educação e em conjunto com artistas urbanos, com o objetivo de ampliar a tolerância e popularização da arte pela sociedade, começando pelo jovens. Somente assim o grafite prosperará e ampliará o conhecimento das pessoas sobre arte.