Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/11/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais e egoístas que regem essa nação. Todavia, no contexto hodierno, os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil não se distanciam da ficção expressa na escrita do autor. Assim, a omissão estatal vinculada à indiferença do corpo social corroboram para o avanço da problemática.

Precipuamente, é fulcral pontuar a negligência governamental. A Constituição de 1988 assegura a educação como um direito inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, no cenário nacional moderno, a omissão do Estado, intrínseca a ausência de incentivos para promoção da arte nos núcleos educacionais, ocasiona na escassez de estudantes que tenham na arte uma maneira de se expressar e gera a subvertencia da arte em algo marginalizado, a qual acentua a falta de democratização das expressões artísticas. Dessa forma, não há o cumprimento das leis constitucionais.

Além disso, a indiferença do âmbito social ressalta o problema. O livro “Cinzas do Norte”, de Milton Hatoum, retrata o nascimento de Mundo até sua descoberta como artista e as dificuldades encontrada pelo personagem nessa jornada. Nesta perspectiva, o preconceito da sociedade, vinculada a periferização da arte, corrobora na dificuldade que os artistas possuem de encontrar formas para conseguirem sua ascensão, assim como na marginalização das artes urbanas, que tendem a permancerem na espreita das outras formas de arte consumidas pela elite. Desse modo, o cenário moderno não se distancia da escrita do autor.

Portanto, medidas exequíveis tornam-se necessárias para conter o avanço do problema. O Ministério de Educacação, responsável pela elaboração e execução da política nacional de educação, deve destinar verbas, por intermédio dos governos municipais, para a ampliação de programas sociais que visem a promoção da arte entre a população a fim de que ocorra um maior contato entre o corpo social e as expressões artísticas. Ademais, o centros midiáticos devem divulgam campanhas a fim de diminuir o preconceito de uma parcela da sociedade com a arte. Assim, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema.