Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 11/11/2022
Zygmunt Bauman defende que “não são as coisas que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Entretanto, não é possível verificar uma reação interventiva na questão dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, já que ainda há enorme desvalorização desse tipo de expressão. Nesse contexto, deve-se traçar estratégias atuando nas causas do problema: influência da mentalidade social e escasso investimento governamental.
Em primeira análise, vale ressaltar que o pensamento de grande parte da sociedade está pautado em ideias preconceituosas acerca das artes de rua. De acordo com Kobra, grafiteiro paulista, o preconceito está associado a ignorância e a falta de representatividade das obras em instituições de ensino. Sobre isso, depreende-se que as dificuldades para a valorização dessas produções englobam a falta de conhecimento e compreensão enraizadas desde a infância, fato que pode resultar no estranhamento em contato com as composições , consoante a fala de Kobra.
Concomitantemente, a inércia estatal em relação ao apreço e conservação das produções de rua (as quais se mostram como forma de democracia/protesto) agrava o esteriótipo negativo de tais produções artísticas. Sob esse viés, no enredo do livro “1984”, de George Orwell, é possível observar uma sociedade sem liberdade de expressão, comandada por ditadores. Traçando um paralelo, é necessário que o Governo tome atitudes interventivas para que o cenário atual não se assemelhe ao retratado nas páginas de “1984”, repleto de limitações à liberdade de expressão.
Portanto, percebe-se que são necessárias medidas catalisadoras para que se solucionem os empecilhos relacionados a valorização das artes urbanas no Brasil. Para tanto, cabe a Fundação Nacional das Artes o desenvolvimento eficiente de políticas públicas que tenham por finalidade valorizar e preservar os meios de produções artísticas urbanas. Tudo isso por meio da destinaçãode verbas para desenvolvimento de leis e projetos para proteção e conhecimento, além da inserção do ensino sobre as artes de rua em escolas e faculdades, a fim de cessar o preconceito com as obras e de que todos saibam apreciar esse meio de expressão.