Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/09/2023

No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista caracteriza-se como um nacionalista por te uma postura firme no que tange exaltar o seu país. Conquanto, tal prerrogativa, não tem se reverberado quando se observa os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, já que ela serve como uma forma de expressão da sociedade local. Logo, liga-se esse delicado cenário a persistência do preconceito e a negligência estatal.

Nesse contexto, é válido analisar, em primeiro lugar, a impressão negativa atrelada aos grafites de rua no Brasil. Diante disso, segundo a teria do “Habitus”, do filósofo Pierre Bourdieu, os comportamentos humanos são uma exteriorização da interioridade. Portanto, muitos artistas utilizam da arte urbana como linguagem, podendo ser apenas um fator estético, mas também para atingir determinado resultado, como críticas sociais. Porém, há o público que se apodera desse meio de expressão para contribuir com a poluição visual, “pixando” espaços públicos e privados, favorecendo o preconceito ligado a esse movimento.

Além disso, é fundamental apontar a ausência de medidas governamentais como um dos principais empecilhos para a valorização da arte urbana no Brasil. Sendo assim, o livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, defende que a legislação do Brasil não funciona eficientemente, com direitos que não são cumpridos , mas violados. No contexto de tal exposto, observa-se que mesmo com a aprovação da lei 106/07, em março de 2009, o artista de rua ainda é visto como um vândalo, podendo ser detido pela polícia ou até chegar ao ponto de ser agredido por populares.

Desse modo, os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil devem ser combatidos. Para isso, o Estado - na condição de garantidor dos direitos individuais - deve proporcionar um ambiente mais favorável para os artistas de rua, através da criação de documentos que comprovam a legalidade de suas obras e de

campanhas com o intuito de conscientizar a população do papel benéfico que eles têm no país. Com a finalidade de, todos se tornarem legítimos nacionalistas, como o protagonista do filme " O Triste Fim de Policarpo Quaresma", do escritor Lima Barreto.