Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/09/2023

No documentário “Arte urbana”, disponibilizado em vários meios midiáticos, é apresentado a realidade de vários artistas que usam ruas, praças e tantos outros locais públicos para disseminarem suas poesias, músicas, danças e pinturas. Entretanto, o preconceito vivenciado pelos criativos é exacerbante, os segregando e periferizando diariamente. Desse modo, cabe analisar como a tradicionalidade preconceituosa fere o pleno desenvolvimento e expansão da arte urbana.

Primariamente, vale destacar como as raízes de um país, espelham nos seus maiores estigmas no futuro. Segundo o livro “História do Brasil”, os responsáveis por desenvolverem a arte no período colonial brasileiro eram os portugueses, pessoas brancas e nobres com acesso a educação, que definhavam e perseguiam outro tipo de arte que não se encaixasse no seu modelo. Assim, inúmeros pretos, indígenas e brasileiros perderam seu espaço de criatividade para uma arte moldada por estrangeiros, perpetuando no “gosto pelo estrangeiro” na maior parte dos brasileiros.

Outrossim, a discriminação pela arte das ruas, fere novos processos de criação por parte de novos artistas do meio. Na “semana da arte moderna” ocorrida em 1922, milhares de artistas foram as ruas para quebrar os estigmas e entraves que a sociedade tinha com o desenvolvimento de uma arte puramente brasileira. Porém, a reação negativa dos habitantes do solo verde-amarelo, reafirma como os moldes europeus ainda são preferência no cenário atual, subjulgando e desencoranjando milhares de formas de criação artística urbana, sendo reiterados os preconceitos que as raízes de um país patriarcal e xenofóbico refletem.

Urge, portanto, ações que combatam os obstáculos atuais no Brasil. O Ministério das Comunicações, responsável por formar e informar a população brasileira, deve, juntamente ao Poder público, criar campanhas sociais em núcleos públicos abertos com os mais diversos artistas, com a finalidade de expandir o conhecimento e o acervo cultural no país para todo a população. Dessa forma, com a disseminação da diversidade da arte urbana, milhares de cidadãos terão acesso e a oportunidade de romper com o preconceito em busca somente pela arte estrangeira erudita, valorizando sua própria cultura.