Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 17/06/2024
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do Brasil, garante no artigo 215: " É dever do Estado fornecer a todos o pleno exercício dos direitos culturais e incetivar a valorização e difusão das manifestações culturais". Conquanto, hodiernamente, o que ocorre no país é o oposto do que prega a Carta Magna, uma vez que há desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ideologia “Microfísica do Poder”, quanto do despreparo das Instituições Sociais para lidar com o cenário.
É importante enfatizar, de início, o que propaga a teoria “Microfísica do Poder”. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, a sociedade é formada por relações assimétricas de poder, ou seja, quem possui o conhecimento e dinheiro está no auge das relações sociais. Sob essa ótica, é notório que a arte urbana ( encenações, grafite, apresentações musicais e outros) é visto como sem poder, pois não representa questões vividas pelos mais abastados, ou seja, infelizmente não recebem os créditos que deveriam. Logo, é crucial a análise desse fator para que ocorra mudanças.
Ademais, é válido destacar o despreparo de Instituições Sociais para compreender o papel da cultura urbana. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade é formada por diversas instituições, todavia, não cumprem o seu papel na prática, isto é, são conhecidas como “Instituições Zumbis”. Dessa forma, é imperioso salientar como o Estado falha em não apoiar financeiramente os elementos artísticos urbanos, assim, apenas é vangloriado a cultura e arte de produções mais padronizados, ou seja, teatros e cinemas. Nesse sentido, para alcançar uma diversidade de representações é fundamental que atitudes sejam tomadas.
Fica claro, portanto, como torna-se necessário que medidas exequíveis sejam executadas. Destarte, cabe ao Ministério da Cultura, na condição de garantidor dos direitos dos indivíduos, investir em artistas menos conhecidos e que possuem as ruas como palco, por meio de fornecimento de cursos técnicos, assim, profissionais mais ricos culturalmente são formados, a fim de que haja diversidade artística e democratização da arte.Dessa maneira, os direitos da Constituição serão aplicados.