Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 30/10/2024

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou um dos documentos mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a cultura, a arte e a liberdade de expressão. Todavia, a desvalorização da arte urbana impede que os brasileiros vivenciem os direitos assegurados pela ONU. Assim, para promover a arte nas cidades, há de se combater o silenciamento social e a omissão estatal.

Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O Ser e o Nada”, que existe um conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há temas banidos do debate coletivo. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca da valorização das intervenções urbanas artísticas — como a “street art” — como forma de expressão da sociedade e do cidadão, embora seja relavante, não recebe a devida importância. Tal negligência é motivada pela visão preconceituosa que ainda persiste em relação ao grafite e até mesmo à “street art”, as quais são vistas como manifestações marginalizadas da arte. Desse modo, é incoerente que o silenciamento ainda alimente preconceitos à arte de rua.

Ademais, Norberto Bobbio — expoente filósofo italiano — afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população vivencie no cotidiano. Nesse sentido, o governo deve implementar políticas públicas que valorizem e incentivem a arte urbana, bem como garantir que os artistas tenham acesso a espaços de exposição e financiamento. No entanto, essa falta de iniciativa estatal é evidenciada pelo escassez de programas e incentivos que promovam a arte de rua, além da frequente remoção de murais e grafites enriquecem a paisagem urbana.

É urgente, portanto, que as escolas — responsáveis pela transformação social — conscientizem a sociedade sobre a arte urbana e seu valor cultural e social, por meio de projetos criativos que incentivem os alunos a participar de atividades artísticas. Além disso, o Estado deve financiar os artistas de rua, oferecendo acesso a espaços de exposição. Essas iniciativas terão como finalidade valorizar a arte urbana e a identidade nacional, além de garantir que os direitos assegurados pela ONU se tornem, em breve, uma realidade no Brasil.