Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 04/10/2018

Em 1922, Mario de Andrade colaborou para a realização da Semana de Arte Moderna no Brasil a fim de valorizar as manifestações culturais brasileiras. Todavia, quase 100 anos depois, a visibilidade de um entretenimento ligado a espetáculos musicais, cinema ou, até mesmo, livros custam caros para a maior parte da população do Brasil, o que, além de ferir direitos constitucionais, é fruto de uma negligência governamental com a sociedade.

A priori, pode-se inferir que alto custo seleciona os indivíduos que têm acesso à cultura. Desse modo, é perceptível que a cultura só é alcançada por aqueles podem pagar por ela, excluindo, assim, os menos abastados. Tal fato é provado por dados do IBGE( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que afirmam que 70% do brasileiros nunca assistiram um espetáculo de dança, e esse quadro fica ainda mais paradoxal em razão da pluralidade cultural que o Brasil possui com forte presença do regionalismo advindo nas múltiplas colonizações. Neste cenário, enquanto o descaso com a cultura for regra entreter-se será um passatempo restrito aos ricos.

Por outro lado, o direito à cultura é negligenciado pelos governantes na medida em que é direito do cidadão. Contrariando a Constituição de 1988, o acesso cultural não é assegurado pelo estado em razão da escassez dos espaços que democratizam essa prática como, por exemplo, bibliotecas. Nesse viés, a falha na educação é consequência na medida em que, de acordo com o jornal G1, existe um desses espaços para cada 33 mil habitantes. Tornando, assim, imprescindível o fomento a cultura visto que está diretamente ligado à leitura e a educação da sociedade.

Urge, portanto, que a proposta de valorização cultural de Mario De Andrade seja acessível a todos. Logo, o Ministério da Educação aliado com o da Cultura, por meio das secretárias municipais, podem implementar projetos nas escolas intitulados “Semana da Cultura” onde demandem dos alunos apresentações de grupos de teatro ou de danças para promover introdução e a valorização de manifestações culturais. Aliado a isso, criar mais bibliotecas a fim de democratizar o acesso aos livros e, com isso, a cultura.