Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 02/10/2018

De acordo com a Constituição Cidadã, todo cidadão brasileiro deve ter acesso à cultura de forma acessível. No entanto, essa premissa constitucional é burlada diariamente, visto que, devido à mercantilização da cultura e à negligência estatal, o acesso aos meios culturais não é democratizado no país. Nesse sentido, faz-se necessária a promoção de ações sociopolíticas, com o fito de amortizar os desafios para a efetivação dos direitos da Carta Magna de 1988.

Em primeiro plano, cabe pontuar que a mercantilização cultural é uma das responsáveis pelo desenvolvimento dessa situação conflituosa. Consoante ao pensamento de Adorno e Horkheimer, sociólogos, de que a Indústria Cultural capitaliza a cultura, tal problemática ocorre, pois a mídia e os meios de comunicação, pautados no objetivo de lucrar exageradamente, supervalorizam as obras restáveis no mercado, como os filmes hollywoodianos, e menosprezam as manifestações artísticas regionais, tais como o folclore e o frevo. Diante disso, a população, influenciada pelos fatores midiáticos, passa a desvalorizar tais expressões culturais, provocando desigualdade de acesso à cultura entre as regiões brasileiras.

Outrossim, a falha atuação estatal fomenta a má democratização do acesso à cultura. Isso acontece, porque, conforme dito pela Tese Marxista, o Estado prioriza os desejos da classe dominante e negligencia as necessidades das minorias. Nessa perspectiva, os órgãos estatais privilegiam os investimentos financeiros na concentração de instituições artísticas, como museus, galerias, cinema e teatro, nos grandes centros urbanos, onde as pessoas economicamente mais abastardas vivem. Dessa forma, a população interiorana é prejudicada quanto ao contato com as manifestações culturais, já que possui poucas oportunidades de apreciar peças teatrais, exposições de arte, filmes. Por conseguinte, a democratização da cultura é burlada cotidianamente.

Diante dos fatos supracitados, é necessário, portanto, que o Ministério da Educação fomente a valorização das manifestações de arte regionais do Brasil, por meio da criação de atividades lúdicas, seminários, viagens aos pontos turísticos históricos e aulas interativas sobre a diversidade cultural e artística brasileira, com o intuito de igualar o acesso à cultura nas regiões brasileiras. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura interiorizar as instituições artísticas, por intermédio da ampliação dos investimentos financeiros na construção de museus, teatros, galerias de arte, cinemas e praças públicas nas cidades do interior brasileiro, a fim assegurar os princípios constitucionais quanto à acessibilidade cultural.