Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 02/10/2018
O romantismo, escola literária que teve seu auge nos meados do século XIX, foi um estilo artístico de produção com o intuito de entreter as elites da época. Ainda hoje, as produções culturais se encontram restritas a parcelas da população com poder aquisitivo, excluindo um grande número de brasileiros que não possuem condições para usufruir dessas composições artísticas. Tal quadro é ocasionado pelo investimento limitado dos governos em eventos acessíveis e a falta de interesse dos cidadãos em participar por motivos conjunturais.
A priori, o recurso financeiro disponibilizado pelo governo federal é insuficiente e incompatível com as necessidades reais. De acordo com o Banco Mundial, o investimento médio dos países em cultura é de 7% do PIB, enquanto que o repasse brasileiro é de apenas 4%, ou seja, infelizmente o Brasil possui um financiamento inferior a normalidade mundial. Sendo assim, lamentavelmente uma tragédia recente demonstra essa realidade, o incêndio do Museu Nacional tem relações diretas com infraestrutura precária, já que, o valor destinado à instituição diminuiu cerca de 50 % nos últimos 5 anos segundo a Folha de São Paulo.
Outrossim, o desinteresse da população acerca do acesso aos eventos culturais é marcante. Conforme informações do IBGE 96% dos cidadãos do país não frequentam museus e 93% nunca participaram de uma exposição artísticas, isto é, a população menospreza até mesmo os espetáculos financiados pelo governo. Isto se deve essencialmente, ao contato superficial que os brasileiros têm com a disciplina de Artes durante o ensino básico, desta forma, os indivíduos não são acostumados com esse tipo de programação e não demonstram disposição em participar.
Destarte, infere-se que o financiamento escasso e o descaso da população, ampliam as dificuldades do acesso à cultura no país. Logo, o Legislativo por meio de votações em plenário, deve expandir Lei Rouanet de modo que as empresas que aderirem à diretriz legal possam destinar suas verbas para manutenção permanente de museus e teatros, com o objetivo de melhorar a infraestrutura e diminuir os valores dos ingressos. Além disso, o Ministério da Educação necessita ampliar o ensino da disciplina de Artes presente na grade curricular, por meio de uma convenção nacional que selecione as diversas manifestações artísticas do Brasil, com a finalidade de incentivar a produção e a participação de eventos por esses indivíduos.Dessa forma, será possível democratizar obtenção instrutiva na sociedade brasileira.