Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 03/10/2018
Segundo Aristóteles, “a política é a ciência para garantir a felicidade dos cidadãos”, a qual deve atuar na interação da sociedade e visar o bem comum. Contudo, esta conduta necessita de ética e imparcialidade para não acometer liberdade e direitos fragmentados à parte da população. Atualmente, no Brasil, vivencia-se a desigualdade social de acesso à cultura devido à falta de investimentos coerentes nesse âmbito, mas também a falta de valorização da sociedade sobre as próprias tradições. É indubitável que os investimentos na propagação cultural são imprescindíveis para disseminação de valores sobre toda a sociedade. Porém, as marcas dos direcionamentos incoerentes feitos pelo governo caracterizam um desfecho letal para a população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% dos teatros, museus e cinemas encontram-se nas grandes cidades. Desse modo, evidencia-se os nefastos gastos públicos em detrimento da parcela desabastada da população, refém de políticas mal executadas. Por esse motivo, é indispensável que as vertentes sobre as relações igualitárias culturais sejam reanalisadas.
Concomitantemente a isso, a discriminação nacional da própria cultura oprime o relacionamento com suas tradições e direitos. Como dizia Oswald de Andrade, “somente me interessa aquilo que não é meu”, sintetiza-se uma realidade notória em paradigmas da sociedade. Nesse sentido, em 2016, a produção brasileira “O Menino e o Mundo” que concorreu ao Oscar, nos Estados Unidos, pela categoria de melhor animação, em contrapartida obteve um público no estrangeiro superior ao encontrado no país de origem. Dessa forma, os conceitos fragmentados sobre as características intrínsecas nacionais, interferem no reconhecimento do potencial existente nas matrizes culturais.
Evidencia-se, portanto, que o Brasil vive um processo de aculturação sustentado pela negligência governamental. Logo, o Governo Federal, junto ao Ministério da Cultura, deve, no interior dos estados, realizar a construção de teatros, cinemas e espaços culturais para que toda a população tenha acesso ao entretenimento, assim como o investimento em bibliotecas públicas para o incentivo da leitura e fortalecimento cultural. Igualmente, o Ministério da Educação, necessita atuar na desmistificação do estereótipo encontrado na sociedade, por meio das entidades educacionais com a abordagem do tema em seus espaços, difusão de reflexões e projetos pedagógicos que contemplem: oficinas, palestras e campanhas que objetivem a diversidade cultural e agreguem valores nacionais. Em suma, os direitos citados por Aristóteles vencerão a inércia e com seus devidos movimentos resultarão em bons frutos à população.