Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 06/10/2018
É de conhecimento geral que a Semana de Arte Moderna, um dos principais movimentos culturais do século XX, em São Paulo, proporcionou a quebra de paradigmas artísticos e foi de suma importância no desenvolvimento cultural. No entanto, assim como no movimento histórico, a democratização do acesso à esse âmbito ainda é falho, pois a falta de investimento estatal na ampliação desse setor, aliado à um elitismo social, permite que poucos usufruam dos imprescindíveis benefícios da cultura.
Em primeira análise, vale pontuar que a exclusão cultural advém de raízes antigas visto que, desde os primórdios da colonização portuguesa, em 1500, o país vivencia a extrema segregação entre pobres e ricos. Nesse viés, a desigualdade social permite que esse cenário persista repetidamente, no qual cidadãos marginalizados não usufruem de teatros e cinemas, devido ao custo, muitas vezes baixo, mas para muitos já garante o alimento familiar. Sendo assim, já afirmava o educador Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda. Sob essa ótica, fica evidente a estagnação social em um país cujo acesso cultural é para poucos.
Além disso, deve-se salientar que de acordo com Aristóteles, em sua obra ‘‘Ética a Nicômaco’’, a política serve para garantir a felicidade civil. No entanto, nota-se a ineficiência estatal no país, haja vista a negligência em garantir o acesso cultural à todos, pois apenas em grandes capitais o investimento em infraestrutura cultural é efetiva. Aliado à isso, o descaso de jovens em instruir-sem culturalmente é de suma responsabilidade da União, que não estimula esse ensino nas escolas públicas, agravando o cenário.
Diante dos fatos supracitados, espera-se a consonância entre Estado e Ministério da Cultura, tendo em vista o subsídio da inserção dos humildes no âmbito cultural, mediante isenção de custos para esses utilizarem cinemas e teatros, minimizando a elitização do âmbito. Ademais, é necessário que a União invista na ampliação de infraestruturas culturais interioranas, como a criação de teatros e museus, no qual jovens de escolas públicas participarão gratuitamente, só assim a política seguirá a ‘‘Ética a Nicômaco’’ e progredir.