Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 12/10/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura a todos os indivíduos o direito à cultura. No entanto, a falta de integração e acessibilidade, em conjunto à mercantilização cultural são os desafios para uma eficiente democratização.
Em primeira análise, evidencia-se que a discrepância social distancia os mais pobres das áreas periféricas, consequentemente, de lugares culturais. Isso se deve pela concentração de teatros, cinemas, bibliotecas e outros espaços no centro das grandes metrópoles. Segundo o IBGE (2010), as regiões metropolitanas brasileira concentram 41% de todo consumo cultural. Em outras palavras, existe um descompasso entre a oferta dos produtos artísticos e o acesso a eles.
Vale ressaltar, ainda, que conforme elucida o filósofo Theodor Adorno, em sua teoria da “indústria cultural”, a arte passou a ser instrumento industrial com a finalidade lucrativa. Desse modo, por meio dos veículos de comunicação a sociedade está sendo moldada culturalmente, tendo uma sobreposição de suas origens. Nesse sentido, esse processo erradica a essência brasileira, buscado pela incorporação de uma cultura capitalista. Logo, produções artísticas regionais que não sejam lucrativas, como o folclore, são esquecidas.
É indubitável, portanto, que medidas são necessárias para atenuar o impasse. Em razão disso, o governo federal, por meio do envio de recursos ao Ministério da Cultura, deve ampliar a oferta de programas e espaços voltados para atividades culturais, afim de garantir um acesso efetivo em todas regiões brasileiras. Ademais, a mídia deve resgatar as diversas formas de cultura, por intermédio de programas de televisão, campanhas ou mesmo festivais temáticos, objetivando expor, estimular e, sobretudo, preservar a herança cultural. Dessa forma, o Brasil poderá superar os desafios à consolidação do direito universal.