Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 12/10/2018
No advento do processo histórico brasileiro a criação do Ministério da Cultura, em 1985, durante o governo de José Sarney, foi um marco para conceder a liberdade de expressão e a difusão cultural. Não obstante, sua criação não consolidou uma forma igualitária no acesso à cultura no Brasil, tendo, assim uma estratificação sociocultural. Nesse contexto, a falta de integração e acessibilidade, em conjunto, à mercantilização cultural, promove um grande obstáculo para a democratização.
A princípio, a concentração de ferramentas culturais em locais urbanos, dificultam o acesso da população que reside em locais afastados desse meio. À visto disso, ambientes como, teatro e cinema ficam restritos as grandes cidades e possuem um alto valor de acesso, corroborando ainda mais para o desafio à democratização. Além disso, os municípios periféricos a essas zonas urbanas não possuem espaços culturais para envolver a população no contato sólido e eficaz na cultura do país, reverberando indivíduos alienados quanto a sua identidade cultural.
Em detrimento dessa questão, o filósofo Theodor Adorno critica em sua teoria da “Indústria Cultural”, a mercantilização da arte, perdendo o valor da sua essência. Sob tal ótica, os meios midiáticos interferem na consolidação da arte brasileira ao difundir amplamente uma cultura globalizada visando apenas lucros e, desse modo, configurando um cenário de aculturação, em que os cidadãos perdem as origens e tradições do país, por exemplo, o folclore, o frevo e entre outras manifestações artísticas. Dessa maneira, o poder da reflexão e dos saberes que o acesso à cultura oferece são dizimados diante da máquina de entretenimento midiáticas - defendido por Adorno.
Infere-se, pois, combater a desvalorização cultural e propiciar a sua democratização no Brasil. Para isso, é imperativo que o Poder Executivo, na figura do Estado em parceria com o Público-Privada realize construções de espaços culturais em municípios que carecem da integração artística, por meio de investimentos e subsídios, a fim do desenvolvimento cultural para esses moradores. É necessário, ainda que o Estado amplie o projeto vale-cultura, com fito de consolidar e estimular a integração efetiva. Ademais, o Ministério da Educação, em conjunto, à escolas públicas e privadas devem promover e difundir a história cultural do Brasil, por intermédio de palestras e seminários com educadores, como também visitas aos locais históricos, assim corroborando democratização cultural para os brasileiros.