Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 13/10/2018

Em 1960, surgiu no país o movimento Tropicalista, o qual propunha mesclar as manifestações populares brasileiras às tendências mundiais, como a guitarra elétrica. Assim, a corrente musical teve o efeito de revolucionar o cenário artístico no Brasil ao mesmo tempo que atingia as camadas populares, alterando a dicotomia entre cultura de massa e cultura erudita. Entretanto, observa-se que o panorama hodierno ainda é marcado pela insuficiência da democratização da cultura, especialmente devido ao alto preço de serviços como cinemas, teatros ou livros e a falta de interesse de grande parte da população por tais formas de entretenimento.

Nesse viés, percebe-se que uma grande parcela do povo brasileiro demonstra desinteresse por atividades culturais.Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha em parceria com a FGV, 61% dos entrevistados não frequentavam museus, sendo que 29% declararam indiferença para tais atividades como motivo para a abstenção.Em análise, esses dados são reflexo de uma desvalorização de atividades artísticas resultante do ensino precário de artes no país, regularizado apenas nos anos 90.

Ademais, outro desafio que impede o acesso à produção cultural é seu custo elevado, resultando em uma elitização desses setores. A título de exemplo, o preço médio de um livro é incompatível com a renda de grande parte da população, o que pode explicar a quase inexistência do hábito da leitura no Brasil. Dessarte, tal realidade resulta em um ciclo vicioso de limitação do acesso e falta de investimento na arte, música e literatura.

Portanto, torna-se imprescindível a tomada de medidas que fomentem os setores culturais. Assim, é fundamental que o Governo federal, em parceria com o MEC, destine mais verbas para a elaboração de projetos de música, dança, teatro e oficinas de literatura nas escolas, com a finalidade de reverter o panorama de desvalorização dessas áreas. Outrossim, é importante que o governo garanta o “Vale-cultura” para todos os trabalhadores de baixa renda, por meio de concessões de benefícios aos contratadores, de modo a garantir o direito constitucional à cultura.